2018 | JÂNGAL

Não sou alto nem baixo, não sou homem nem mulher, não sou novo nem velho, não sou gordo nem magro, não sou esperto nem burro, não sou ser nem sou coisa, não sou branco nem moreno, não sou apto nem inapto, sou uma onda fluida de energia que atropela tanques urbanos turbinados em deflação conceptual, mesmo quando só estou a ir ao pão. 

 

 

O espetáculo do Teatro Praga desmancha distinções genéricas com a pretensão de exigir uma atenção para uma ontologia singular, quotidiana e sempre mutável, susceptível de relações múltiplas e imprevisíveis. Instaura-se assim um para lá do tempo das generalizações e explicações grandes, de uma definição de humano como taxinomia que valida e dá existência. A vida deixa de ser conferida por uma palavra ou norma e passa a sê-lo com recurso a um contexto, um lugar: JÂNGAL.

Já não vivemos no tempo de criação ideológica enquanto grande narrativa global mas num tempo de proliferação tansestética de identidades fluidas em performatividade. Habitamos a possibilidade de criação de novas ficções e ontologias que remodelam uma realidade que é cada vez mais um “espectáculo-ao-vivo” numa ficção com a aparência de realidade.

Na selva, onde ecoa a semântica de refúgio de excluídos (Calais, por exemplo), cria-se o trendsetting do inimaginável, novas ontologias que já não refletem o mundo nem o representam, antes adivinham-no. Os polos da selva urbana são primordiais para a alimentação de uma distanciação destradicionalizada e desnaturalizada. As culturas que antes eram desvios processuais arrastam hoje muitos corpos para zonas precárias. Por isso há que entrar num terreno ainda por cultivar.

JÂNGAL é o desencantamento do mundo para além da selva de betão e da selva biológica, a que sobrevive enquanto parque temático au naturel.  No seu espaço encontramos unicórnios em montanhas de ouro sobrevoadas por pégasos em círculos quadrados, enquanto Ulisses desembarca numa Lisboa de sereias e o Rei de França desfere um ataque sobre o azul. Triângulos, frases, pirâmides de bolo, livros sem páginas e escadas sem degraus habitam JÂNGAL, teatro que desfaz corpos, dilui ontologias e inventa liberdades.

 

 

Um espetáculo de Teatro Praga (André e. Teodósio, Cláudia Jardim, José Maria Vieira Mendes e Pedro Penim)
Interpretação | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Jenny Larue, Joana Barrios, João Abreu e a Participação da cantora | Gisela João
Cenografia | Bruno Bogarim
Figurinos | Joana Barrios
Música | Violet
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Desenho de som | Miguel Lucas Mendes
Fotografia | Alípio Padilha
Vídeo | André Godinho
Direccção de Produção | Andreia Carneiro
Assistente de Produção | Alexandra Baião

Coprodução | São Luiz Teatro Municipal / Thêatre de la Ville / Teatro Municipal do Porto – Rivoli.Campo Alegre / 23 Milhas – Centro Cultural de Ílhavo

 

2017 | ( )

Ao longo dos seus trabalhos, o coletivo Praga tem-se interessado, sob diferentes pontos de vista, numa crítica da identidade, não apenas a propósito do suporte artístico com o qual mais tem operado, o “teatro”, como também a propósito de ideias de pessoa, de corpo, de fazer ou de objecto. “( ) é uma performance duracional e dá continuidade a essa atividade, agora no âmbito do regime de visibilidade do museu.

( )” é um local de paisagens desejadas, de outros objetos-corpo e das suas relações. Trata-se da não-normatividade enquanto possibilidade. Um poema de espera, posição para que são relegadas todas as formas não preferenciais, onde se capitaliza uma apresentação turística para reclamar invisibilidades, experiências, mudanças e efemeridade. Em “( )”, a poética do des-ser, do des-tornar-se e a hermenêutica residual produzem verdades, províncias ontológicas e campos de conhecimento que têm sido desqualificados pelos seus modos não consolidados.

Reagindo a uma longa história de regimes voyeuristas, exploradores, capacitistas e de legibilidade global, “( ) não deixa rastro, desaparece. ( )” é um esqueleto micropolítico que insere, emerge, relembra e reafirma que a recusa de ter de ser alguma coisa é a deslocação necessária para o surgimento de uma operatividade liberta de uma raiz matricial: Desconhecer na intimidade.

 

 

Uma performance de Teatro Praga / André e. Teodósio
Com | Ana Tang, Aurora Pinho, Joana Barrios, Paulo Pascoal
Objetualidade material | Teatro Praga / Bruno Bogarim
Fotografia | Alípio Padilha
Duração | 5h
Agradecimentos | Pedro Barateiro, Bárbara Falcão Fernandes, Vasco Araújo, José Nunes e Cátia Pinheiro, Pedro Antunes, Salomé Lamas, Joana Gusmão, Jorge Jácome, Mariana Sá Nogueira, Joana Dilão, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Pedro Gomes, Pólo Cultural das Gaivotas | Boavista

2017 | ROMEU & JULIETA

Partindo de William Shakespeare, Cláudia Jardim e Diogo Bento andarão à volta de ROMEU & JULIETA, a clássica história de amor que põe no centro da ação dois teenagers apaixonados em rota de colisão com as suas famílias e com uma sociedade repressora. Num ambiente divertido de uma cozinha dentro do palco, os atores guiam os jovens espetadores participantes pela história deste romance maldito, misturando-a com a feitura de um delicioso Cheesecake que leva o nome dos dois protagonistas shakespeareanos. Esta história, ainda que com uma linguagem adaptada, é a tragédia originalmente escrita no Século XVI, ora trágica ora cómica, que será contada de forma lúdica, através dos ingredientes e dos passos da receita do bolo. Neste ROMEU & JULIETA o drama confunde-se com o queijo Ricota, o sangue dos amantes é doce de Goiaba, as lutas de espadas fazem-se com espátulas e caçarolas e uma dentada numa bolacha Maria pode ser uma alternativa deliciosa para um coração partido.

 

Texto e criação | Cláudia Jardim, Diogo Bento e Pedro Penim
Interpretação | Cláudia Jardim e Diogo Bento / André e. Teodósio
Produção | Andreia Carneiro
Co-produção | Teatro Praga, Maria Matos Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto, Teatro Viriato and Centro de Artes de Ovar
Fotografia | Alípio Padilha
Duração | 60m

2017 | ANTES

Muitas cidades ou países apresentam uma malaise distinta. São lugares que podiam ser Portugal, de tão afundados numa dolorosa Saudade do passado, e onde cada tensão do presente é apenas a ponta de um iceberg que se explica em recuos sucessivos que podem ir até à origem das espécies, pelo menos. Esta nostalgia é muitas vezes apresentada como um diagnóstico, uma negação de um presente doloroso em oposição ao desejo de regressar a um passado glorioso:

→ A cidade de Istambul mergulha frequentemente num estado a que os Turcos chamam Üzün: um tipo de melancolia aguda, coletiva, que surge com a chuva e com o vento frio vindo do Leste e que tudo devora.

→ O coração de Trieste parou de bater em 1914 quando para ali foram transportados os corpos dos arquiduques do Império Austro-Húngaro, depois de terem sido assassinados em Sarajevo. Desde então a cidade portuária foi rebaptizada como Tristesse e arrasta-se num limbo moribundo.

→ Gales quer dizer “o lugar dos Outros”. Foi este o nome dado pelos invasores quando o país se tornou a primeira colónia do império britânico em 1285. Desde então Gales tem sido atirado para as margens da história e os Galeses experimentam um estado de incompletude profunda e familiar, uma doença que faz sentir falta de uma casa para a qual não se pode voltar. Uma casa, uma pessoa ou uma história que talvez nunca tenham existido.

→ Lana Del Rey tem definido um mapa de Los Angeles magoado e descolorado pelo sol, através da sua voz espectral e tragicamente romântica. Trata-se de uma cidade fantasmagórica que deveria ter sucedido a Paris e a Nova Iorque como capital do Mundo do século XXI, mas onde décadas de lixo da cultura pop se recusam a prestar atenção à passagem do tempo.

 

 

Texto e encenação | Pedro Penim
Interpretação | Bernardo de Lacerda, Frederico Serpa e Pedro Penim
Iluminação | Rui Monteiro
Assistência geral e produção executiva | Bernardo de Lacerda
Produção | Teatro Praga / Andreia Carneiro
Assistência de produção | Alexandra Baião
Vídeo | Jorge Jácome
Fotografia | Alípio Padilha
Duração | 50 min

2017 | DESPERTAR DA PRIMAVERA, TRAGÉDIA DA JUVENTUDE

Despertar da primavera, uma tragédia de juventude é uma peça escrita em 1891 por Frank Wedekind sobre um grupo de adolescentes em conflito com uma sociedade conservadora e moralista. A crueldade e o amor entre pares, a intolerância geracional e o suicídio são alguns dos motivos queridos pela tradição interpretativa deste texto.
A convite do Centro Cultural de Belém, o Teatro Praga regressa a um clássico da literatura dramática para inscrever, num texto e teatro canónico, o lugar dos que não estão incluídos no sistema representativo.
Pretende-se, para isso, trabalhar o expressionismo lírico de uma adolescência disforme, com uma linguagem própria que anda longe de bipartições entre cínicos e sinceros, poéticos e racionais, parecendo pairar sobre o que está construído como se não lhes pertencesse.
Se em O Avarento o interesse estava em pensar uma casa ocupada pelo Teatro Praga depois da expulsão do “velho”, o Despertar da Primavera será a casa ocupada por uma puberdade longe da Natureza, da sujeição de um corpo a outro, da construção de identidades, em rito emancipatório e resistindo a todas as normalizações tradicionais. Um lugar onde se exige a coexistência de linguagens e se confundem as referências, onde o desespero é a vida e o suicídio uma vitória. É um espetáculo que segue à procura da humanidade por inventar.

 

 

Texto | Frank Wedekind
Tradução | José Maria Vieira Mendes
Com | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Patrícia da Silva, Pedro Zegre Penim e com Cláudio Fernandes, Odete Ferreira, João Abreu, Mafalda Banquart, Óscar Silva, Rafaela Jacinto, Sara Leite e Xana Novais
Desenho de luz | Daniel Worm D’Assumpção
Música original e desenho de som | Miguel Lucas Mendes
Cenografia | Bárbara Falcão Fernandes
Figurinos | Joana Barrios e Mestre Costureira Rosário Balbi
Fotografia | Alípio Padilha
Produção | Bruno Reis
Produção executiva | Bernardo de Lacerda
Coprodução | Teatro Praga, Centro Cultural de Belém, Teatro Nacional São João e Teatro Viriato
Residência artística e antestreia | 23 Milhas – Casa Cultura Ílhavo

2016 | ZULULUZU

Este espetáculo faz uso de um episódio relativamente obscuro da vida de Fernando Pessoa: a sua chegada a Durban, África do Sul, em 1896, cidade onde passou os primeiros anos da vida. ZULULUZU é o neologismo que enquadra esta passagem, dando voz a dois lugares-comuns: uma ideia de Portugal e uma ideia da África do Sul.
O Teatro Praga tira partido da cooperação entre estes dois clichês culturais para atacar uma instituição teatral, a caixa preta. Em ZULULUZU, o edifício teatral é utilizado como bode expiatório para um discurso contra todos os discursos que reclama um espaço para aqueles que são deixados de fora, as histórias e personagens esquecidas, as vítimas do “é assim que as coisas são” ou os que são invisíveis em frente a uma parede preta. O espetáculo apropria-se do vocabulário da teoria pós-estrutralista, feminista e de género e aplica-a à sua própria vida. Não é nisto um espetáculo contra a caixa preta, antes propõe que se reconheça o edifício, exigindo visibilidade para a sua arquitetura e normatividade e, em último caso, para o próprio ZULULUZU, um espetáculo a partir da vida e obra de Fernando Pessoa.

ZULULUZU anuncia o fim do “apartheid” das ideias, géneros e formas, e é uma estranha declaração de queerismo, um manifesto a favor de um objeto imaterial, um espetáculo que não veio para ficar e onde o exotismo dá lugar ao endotismo. Se “tenho em mim todos os sonhos do mundo”, como escreveu Pessoa, ZULULUZU quer todo o mundo e a sua infinitude.

 

 

Texto e direção | Pedro Zegre Penim, José Maria Vieira Mendes e André e. Teodósio
Com | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Jenny Larrue, Joana Barrios, Maryne Lanaro, Gonçalo Pereira Valves, Pedro Zegre Penim
Cenografia | João Pedro Vale & Nuno Alexandre Ferreira
Figurinos | Joana Barrios [o figurino de André e. Teodósio na cena Nympha Negra é da autoria de Mariana Sá Nogueira e gentilmente cedido pelo Teatro Cão Solteiro]
Mestre costureira | Rosário Balbi
Música original | Xinobi
Luz | Daniel Worm d’Assumpção
Som | Sérgio Henriques
Produção | Teatro Praga Bruno Reis
Produção executiva | Sara Garrinhas
Comunicação | Teatro Praga Clara Antunes
Fotografia | Alípio Padilha
Agradecimentos | Aida Tavares, Alexandra Pinho, Alex D’Alva Teixeira, Ana Brito, Ana Carina Paulino, Ana Lúcia Cruz, André Godinho, António Mega Ferreira, António Gouveia, Aviva Obst, Calixto Neto, Carlos Pinto, Catarina Homem Marques, Chloé Siganos, Christophe Lemaire, Clara Riso, Companhia Nacional de Bailado, Cristina Correia, Cristina Piedade, Damaris Muga, Diana Lopes, Ela, Elisabete Azevedo, Giftor Neville, James Muriuki, Joana Gomes Cardoso, João Macdonald, Jody Paulsen, Maria João Sigalho, Mariana Sá Nogueira, Mark Lowen, Marta Neves, Nelson André / Traços Interiores, Patrícia Azevedo, Patrícia da Silva, Paula Nascimento, Paulo André, Paula Sá Nogueira, Paulo Pascoal, Pedro Rapoula, Rosário Balbi, Rui Horta, Rui Tavares, Sébastien Capouet, Selin Gerit, Simore, Sónia Baptista, Syowia Kyambi, Teatro Cão Solteiro, Tiago Bartolomeu Costa, Tiago Coelho, e um obrigado infinito aos nossos co-produtores, directores de Teatros e Festivais, apoios e criativos que integraram este processo; às nossas famílias, ao Richard Zenith, ao João dos Santos Martins, e à Luísa Taveira
Co-produção | Teatro Praga, São Luiz Teatro Municipal (Lisboa), Théâtre de la Ville (Paris), ÍKSV – Ístanbul Tiyatro Festivali (Istambul), Teatro Municipal do Porto – Rivoli (Porto), Casa Fernando Pessoa (Lisboa), Institut Français au Portugal
Apoio estreia | ÍKSV Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, Embaixada de Portugal na Turquia
Apoio à residência artística | O Espaço do Tempo, Teatro Municipal Curvo Semedo – Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Pólo Cultural das Gaivotas | Boavista

 

 

Espetáculo falado em Português, Zulu, Inglês, Francês, Alemão e Castelhano, legendado em Português / Inglês / Francês mediante local de apresentação.

2015 | I AM EUROPE

Estes espetáculos não foram pensados à partida como trilogia. Só quando já estava a escrever o que viria a ser a terceira parte (Tear Gas, em estreia absoluta nestas apresentações na Culturgest, depois das versões iniciais apresentadas em Paris no Festival 360º, no Nouveau Théatre de Montreuil, e no programa Chantiers d’Europe, do Théâtre de la Ville) é que os três espetáculos trocaram energia e momento.

Decidi chamar-lhe, de modo oficioso, I AM EUROPE, título de uma canção de Chilly Gonzales que consegue aquilo que tento em cada um dos espetáculos que aqui apresento e que acompanham dez anos da minha vida artística e pessoal: forjar e expor uma identidade a meio caminho entre a reflexão sobre minha herança cultural europeia judaico-cristã (da qual, mesmo que queira, nunca me consigo desligar) e a minha biografia, material sempre presente no teatro que faço e onde essa herança se reflete.

É também um processo recorrente em todos os espetáculos do Teatro Praga (e o que vou apresentar na Culturgest não são espetáculos “tipo Praga”, como as salsichas “tipo Frankfurt”), as tensões entre o universal e o doméstico ou entre o mistério e a razão (George Steiner chama-lhe “a tensão entre Gregos e Judeus”). Mas nesta trilogia talvez esse género de jogo dúplice – neste caso a Europa e Eu – se encontre reificado de forma mais visível por ser um trabalho eminentemente individual.

I AM EUROPE é um retrato a três velocidades de um mapa antropomórfico.

 

Pedro Zegre Penim

 

Tear Gas (2015)
Israel (2011)
Eurovision (2005)

2015 | TEAR GAS

Em A Ideia da Europa George Steiner reclama que é na síntese de duas culturas, a de Atenas e a de Jerusalém, que se encontra a singularidade da cultura europeia. “A ‘ideia de Europa’ é (…) um ‘conto de duas cidades’.” Este conto, que pretende cunhar uma história (e uma pré-história) da Europa e que tal como em Dickens relata o “melhor dos tempos” e o “pior dos tempos”, faz por confluir num só tronco (ou num só europeu?) os imperativos absolutos da razão científico-filosófica tal como estabelecida na nossa herança grega e os imperativos da fé e da revelação proclamados na Torah. Depois de Eurovision e Israel, e tomando a ideia de Steiner como esquema, esta trilogia completa-se na Grécia, para onde comecei a viajar frequentemente em 2011, no pico dos conflitos provocados pela crise económica e social ainda em curso na Europa. Nunca lá fui fazer Turismo Negro (uma modalidade que satisfaz viajantes interessados em lugares sombrios e aterrorizantes, como cenários de guerra ou holocaustos), nem sequer vampirismo artístico com vista a um teatro político-social. Viajei com frequência para Atenas para encontros voluntários com o gás lacrimogéneo.

 

 

Texto e conceção | Pedro Zegre Penim

A partir de O Evangelho Segundo São Marcos e de obras de Alain Badiou, Benny Andersson & Björn Ulvaeus, Bruno Di Lullo & Domenico Lancellotti, Charles Dickens, Chilly Gonzales, Clarice Falcão, Edward Elgar, Frederico Lourenço, Guido Van Der Werve, Homero, Jay Malinowski, Lars Von Trier, Maître Gims, Marina Gioti, Melina Mercouri, Michalis Patrinós, Peter Sloterdijk, Rufus Wainright e Timber Timbre.
Atores | Cláudia Jardim (Deus / Deusa), João Duarte Costa (Médico / Rapsodo), Pedro Zegre Penim (Herói / Aedo)
Fotografia | Alípio Padilha
Vídeo | André Godinho
Direção musical e Piano | João Paulo Soares
Coreografia | Sónia Baptista
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Caracterização | Jorge Bragada
Confeção do guarda-roupa | Rosário Balbi
Produção e legendagem | Cristina Correia, Elisabete Fragoso
Co-produção | Culturgest, Teatro Praga

2015 | O NOME DA ROSA

A Rosa Mota é uma figura que acompanha toda a minha infância e adolescência. Lembro-me claramente de ver, pela televisão, as suas participações medalhadas nas Maratonas Olímpicas de Los Angeles [1984] e Seul [1988] e de sentir, através das reações eufóricas dos adultos, o entusiasmo patriótico “pela Rosa”. Acredito que o patriotismo no pós 25 de Abril começa a reconstruir-se e a regenerar-se à volta de figuras com projeção internacional como a Rosa ou o Fernando Gomes.

Outro eixo importante é a palavra META, que, em português, designa o fim da corrida mas que é também a palavra grega da auto-referencialidade, do conceito sobre o próprio conceito. Quis ligar esse lugar do universo desportivo da Rosa a um lugar do meu universo criativo: um sintoma da criação artística mais recente que é o cansaço da meta (da metalinguagem, claro).

O título do espetáculo refere-se ao romance do Umberto Eco que foi adaptado para o cinema. No último capítulo do livro, Adso, um ancião, olha para o seu passado e chega à conclusão que todas as memórias e recordações que estimamos só nos lembram coisas que perdemos e que já não existem. E ilustra este pensamento com um provérbio em latim: stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus, e que significa: a rosa antiga permanece no nome, nada temos além dos nomes.

O espetáculo também pretende olhar para o passado da Rosa, para a sua vitória quase iniciática em Atenas, mas fazer desse momento e desse passado glorioso um caminho para a abertura de significados no presente, no momento do espetáculo. Nunca se trata de uma biografia narrativa e linear. É uma Rosa dentro de uma Rosa dentro de uma Rosa, que no fim corta a Meta.

Pedro Zegre Penim

 

 

Texto | Pedro Zegre Penim e Hugo van der Ding
Interpretação | Rosa Mota, Mariana Magalhães, Pedro Zegre Penim, Hugo van der Ding, Joana Magalhães, Mafalda Banquart, Xana Novais e Luísa Osório
Luz | Rui Monteiro
Vídeo | Jorge Quintela
Fotografia | José Caldeira
Produção Teatro Praga | Elisabete Fragoso
Co-produção | Teatro Praga / Teatro Municipal do Porto – Rivoli

2014 | TABUROPA

O projeto de cooperação internacional TABUROPA, apoiado pelo Programa Cultura da União Europeia, convidou 4 companhias de Portugal, Alemanha, Bélgica e Polónia a explorar a expressão do Tabu nas culturas nacionais e europeia ao longo de 18 meses.

Durante a Research Phase, os intérpretes portugueses trabalharam sob a orientação do coreógrafo Arco Renz (kobalt.works, Bélgica) em Varsóvia, enquanto André e. Teodósio (Teatro Praga) dirigiu os intérpretes da companhia alemã futur-3 em Bruxelas. Os resultados deste processo foram explorados durante a Rehearsal Phase, em que os quatro grupos preparam as performances originais que tiveram a sua estreia absoluta em maio de 2014, no Festival Sommerblut em Colónia.

Na Coming Home Phase, o Teatro Praga produziu as reposições de INCUBADORA, de Arco Renz com o grupo português, na Galeria Quadrum em Lisboa, em dezembro de 2014, e de SHHHHHHHOW, de André e. Teodósio com os intérpretes da companhia futur-3 e a convidada Paula Sá Nogueira, no Goethe Institut em Lisboa em março de 2015, bem como a reunião de balanço que encerrou este projeto.

 

Instituições participantes | Teatro Praga, Kobalt Works, Futur-3, Association of Culture Practitioners

 

 

FASES DE TRABALHO

 

 

EINTOPF

Direcção | Agnieszka Blonska (Association of Culture Practitioners)
Intérpretes | Angel Kaba, Marielle Morales, Sayaka Kaiwa, Igor Shyshko (kobalt.works)
País de pesquisa | Alemanha

 

INCUBADORA

Direcção | Arco Renz (kobalt.works)
Intérpretes | Rita Morais, Nuno Leão, Ricardo Teixeira, Sónia Baptista (Teatro Praga)
País de pesquisa | Polónia

 

NO RETURN

Direcção | André Erlen (Futur3)
Intérpretes | Dominika Biernat, Dawid Żakowski, Sean Palmer, Joanna Wichowska (Association of Culture Practitioners)
País de pesquisa | Portugal

 

SHHHHHHHOW

Direcção | André Teodósio (Teatro Praga)
Intérpretes | Anja Jazeschann, Bernd Rehse, Tomasso Tessitori, Pietro Micci (Futur3)
País de pesquisa | Bélgica
Direcção Artística | André Erlen
Fotografia | Meyer Originals
Produção | Sommerblut Kulturfestival e.V.
Direcção de Projecto | Gregor Leschig, Rolf Emmerich
Direcção de Produção | Armin Leoni, Judith Heese
Direcção de Produção da Polónia | Anna Katarzyna Regulska-Lokanga, Joanna Wichowska, Magdalena Sobolewska
Direcção de Produção da Bélgica | Ine Vander Elst
Direcção de Produção de Portugal | Elisabete Fragoso

2014 | TROPA-FANDANGA

A estrutura cerrada do Teatro de Revista é utilizada pelo Teatro Praga para comemorar duas efemérides coincidentes e separadas por várias décadas: os 40 anos do fim da Guerra Colonial e os 100 anos do início da Primeira Guerra Mundial. Depois da estreia em 2014, no Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro Praga repõe este espectáculo, obrigando-se a seguir o princípio de actualização permanente imposto pelo Teatro de Revista, de modo a estar mais próximo dos dias em que acontece.
Apresentados nos teatros de feira de Paris, em princípios do Séc. XVIII, os primeiros espectáculos de revista consistiam numa revisão burlesca e caricata de acontecimentos e figuras que se tinham destacado nos doze meses anteriores. É este o modelo que se acha importado em Portugal, a partir dos anos 50 do século XIX. Da Regeneração de 1851 à Revolução de 1974, é possível seguir a par e passo, através de rábulas e canções, a trajectória de um país.

 

 

Textos | Pedro Zegre Penim, José Maria Vieira Mendes, André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Diogo Lopes, Joana Barrios, Joana Manuel e João Duarte Costa
Direção | Pedro Zegre Penim, José Maria Vieira Mendes e André e. Teodósio
Interpretação | José Raposo, André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Diogo Lopes, Filipa Cardoso, Joana Barrios, Joana Manuel e João Duarte Costa
Atração do fado | Filipa Cardoso
Corpo de baile | André Garcia, Jenny Larrue, Travis Walker e Vicente Trindade
Músicos | João Paulo Soares (piano), Vasco Sousa (baixo acústico, viola), Francisco Cardoso (bateria), Ruben da Luz (trombone), Maria João Cunha (acordéon), Tiago Morna (guitarra portuguesa)
Cenografia | José Capela
Telões | Barbara Says…, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Pedro Lourenço e Vasco Araújo
Figurinos | Joana Barrios com trajes do espólio do TNDM II de Flávio Tomé e Cláudia Faria, Jasmim de Matos, Juan Soutullo, Octávio Clérigo e Rafaela Mapril e com figurinos da Marcha do Alto do Pina 2013 de Carlos Mendonça
Desenho de luz | Daniel Worm D´Assumpção
Som | Sérgio Henriques
Canções originais | Sérgio Godinho
Orquestrações | João Paulo Soares
Coreografia | João dos Santos Martins
Assistência de encenação | Cátia Nunes
Coordenação props | Susana Pomba
Produção | Elisabete Fragoso e Catarina Mendes
Comunicação | Mafalda Carvalho
Fotografia |

2013 | A TEMPESTADE

Em 2010 estreámos, neste auditório do CCB, Sonho de uma noite de verão a partir da peça homónima de Shakespeare e da semi-ópera de Henry Purcell, The Fairy Queen. The Tempest or The Enchanted Island é a outra obra composta por Purcell com ligações a uma peça de Shakespeare, neste caso servindo uma versão cómica da Tempestade que obteve enorme sucesso comercial durante os séculos XVII e XVIII. Da sua estreia chegou a seguinte impressão por parte de um espectador: “O teatro completamente cheio; o Rei e a Corte presentes: e a peça mais inocente que alguma vez vi.”

Partimos deste espectáculo perdido, e de todos os outros que existiram e não existiram, para nos lançarmos às tempestades. Com os mesmos recursos de Sonho de uma noite de verão (música, vídeo, atores, cantores, artistas plásticos…), mas dispostos de um outro modo, este musical, com música composta e arranjada, por Xinobi e Moullinex, sobre a partitura de Purcell, é uma continuação. A Tempestade segue então à deriva como uma ilha que é um barco, à procura do lugar desconhecido de onde partiu. À procura da cor justa (e não há justiça), à procura da câmara certa (e não há certezas), à procura de um outro espectáculo (e não há o outro), à procura da tempestade (quem?). Sem meio e sem meios. A procurar só porque sim.

É que a procura é tão falsa quanto o espectáculo ou o barco ou a ilha. É um espectáculo off (os ingleses dizem show off), areia para os olhos, uma experiência. E um pretexto para repetir tempestades. Embora não se saiba o que veio primeiro, se o pretexto se o resultado. Mas como A Tempestade inventa a sua própria crítica, a ordem é aleatória. Como tudo o resto. São acidentes. Como este texto que estão a ler agora aqui. Acidentes atrás de acidentes, frases atrás de frases a anunciar o seu conteúdo, a prometer o seu fim (aquele que não existe).

Já agora, se lhe perguntarem, diga que A Tempestade foi o espectáculo que não aconteceu, o discurso de um colectivo que não se sente confortável com a ideia de objecto na arte, para quem o espectáculos tem a utilidade de uma experiência cognitiva e não é mais que a oportunidade para curto-circuitar o mundo e os seus conteúdos. Diga que o que viu foi a descrição de um espectáculo sem o espectáculo original. É aquilo que eles sempre quiseram fazer e que continuam a não ser capazes de fazer. Pode dizer coisas assim. Ou não diga nada porque o espectáculo já disse tudo. Não se esqueça: o espectáculo acabou. O espectáculo não existe. Fim.

 

Um espectáculo Teatro Praga

A partir de Shakespeare e de Purcell

Texto e criação | Pedro Penim, André e. Teodósio, J.M.Vieira Mendes
Música | Xinobi & Moullinex
Arranjos musicais | Carlos Clara Gomes
Com | Joana Barrios, Diogo Bento, André Godinho, Cláudia Jardim, Diogo Lopes, Patrícia da Silva, André e. Teodósio, Vicente Trindade, Daniel Worm d’Assumpção
Director Vocal | Rui Baeta
Solistas | Rui Baeta (Barítono), Sandra Medeiros (I Soprano)
Coro | Ana Margarida Encarnação (II Soprano), Cristina Repas (Mezzo-soprano), João Francisco (Tenor)
Vídeo | André Godinho
Fotografia | Paulo Martins
Cenografia | Bárbara Falcão Fernandes
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Coreografia | Vicente Trindade
Figurinos | Joana Barrios
Figurinos de época | António de Oliveira Pinto
Artistas convidados | Vasco Araújo, Catarina Campino, Javier Nuñez Gasco, João Pedro Vale
Equipa de vídeo | Joana Frazão, Salomé Lamas, Nuno Morão
Som | Jorge Imperial
Assistente de iluminação | Marta Fonseca
Produção | Elisabete Fragoso e Filipa Rolaça

2013 | TERCEIRA IDADE

Em Terceira Idade, de J.M. Vieira Mendes, os atores, antes de começarem, já se reformaram. Gente com passado, que apresenta rugas onde não as vemos. O horizonte mais próximo é a morte, mas a melancolia é comédia e o desespero gargalhada. Nesta peça de teatro a trama serve de pretexto para adensar o “Quem sou eu?” ou ainda “O que é isto de uma terceira idade?” Ou também: “Será que digo que sou velho porque sou velho ou sou velho porque digo que sou velho?”

Partindo deste texto, o Teatro Praga chegou a um espetáculo em que testa a sua terceira idade. Como será daqui a 40 anos? E na especulação da resposta acrescenta matéria a um conceito por abrir.

Terceira Idade é tempo e velhice, sabedoria e esquecimento, artroses e pilates. Mas também é hoje e foi ontem. É uma construção por fazer com palavras conhecidas. Uma inevitabilidade a preencher. Uma reinvenção dentro da invenção. Uma comunicação aos tropeções. É, finalmente, a possibilidade de dizer, com os corpos de agora e cabelo de futuro: Terceira idade é hoje e aqui.

Este espetáculo não inaugura uma nova idade. Limita-se a ser uma continuação. Estamos todos na mesma história. Estamos todos no mesmo barco.

 

 

Texto | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Diogo Lopes, J.M. Vieira Mendes, Patrícia da Silva, Pedro Penim
Interpretação | Cláudia Jardim, Diogo Bento, Diogo Lopes, Patrícia da Silva, Pedro Penim
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Fotografia | Susana Pomba
Cenografia | Bárbara Falcão Fernandes
Produção | Elisabete Fragoso, Catarina Mendes
Coprodução | Teatro Viriato, Teatro Praga
Duração | 1h

2011 | SUSANA POMBA

A História está cheia de nomes: Antígona, António e Cleópatra, Platonov, Hedda Gabler, Gianni Schicchi e por aí fora. Mera literatura ou terão sido em tempos organismos vitais, biologia?

Nunca os conheci e no entanto ocupam o meu condomínio cerebral. É lá que vivem. Domesticam-me. Levam vidas normais e são vizinhos de muitos e tantos nomes, todos eles arquitectos da minha subjectividade, tijolos do meu mundo.

Para que o tempo que passa e que arrasta consigo o esquecimento não saia a ganhar decidi registar os incógnitos, os meus, aqueles que não se sabe se ficarão para a História, mas que passarão a ter um bilhete de identidade e a pagar quotas.

Um amigo uma vez encorajou-me: “Mesmo sabendo que o tempo levará a melhor, não podemos deixar de julgar hoje.” Portanto, pelos anos que me restam, vou dedicar-me a este trabalho: transformar os meus amigos em protagonistas de coisas que ficaram por contar. Chamo-lhe TOP MODELS.

 

 

Texto e encenação | André e. Teodósio
Interpretação | Joana Barrios, Diogo Bento, The End of Irony e PAUS
Cenografia | Bárbara Falcão Fernandes
Música | PAUS
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Produção | Cristina Correia
Co-Produção | Centro Cultural de Belém, Teatro Praga

2011 | EGOSISTEMA

O CCB anda fora de si e convida-me para fazer um espectáculo. Fico a pensar e de repente apercebo-me que andamos todos fora de nós próprios.
Sugerem-me: – Wo Es war, soll Ich werden.
Tantos estrangeiros, tanta língua! 😛
O Mundo não é o que é… por isso vale a pena perder tempo para rever a matéria levando a cabo um jogo-espiral-vertiginoso: “Quem é quem?”.
Será como voltar aos anos 80 mas com menos laca.
EGOSISTEMA será um jogo redefinidor das leis da natureza.

 

 

Texto e encenação | André e. Teodósio
Interpretação | André e. Teodósio, André Godinho, António Gouveia, Catarina Campino, Cláudia Jardim, Joana Manuel, João Martins, Patrícia Silva, Paula Sá Nogueira, Rita Só e Sara Correia
Cenografia | Bárbara Falcão Fernandes
Produção | Cristina Correia
Co-Produção | Centro Cultural de Belém, Teatro Praga

2011 | ISRAEL

Não é preciso muito para que o debate sobre Israel se torne pessoal. Sobretudo por causa da paixão que desperta, e este debate não tem interesse nenhum se não for apaixonado. Por isso decidi escrever uma carta de amor a Israel ou, melhor dizendo, um espetáculo de amor. Uma declaração de amor a um suposto monstro. Voltaire escreveu que é preciso escolher entre países onde se sua e países onde se pensa. Em Israel (o país e o espetáculo) faz-se as duas coisas. O contexto reclama uma vigília constante, um pensamento não-binário, cabeça & músculo.
Aqui cada história individual deve ser lida como a história de Israel, e a história de Israel como a história de uma só pessoa. O ator está sentado em frente ao seu computador, o seu rosto projetado numa tela. É difícil dizer para quem e por quem ele fala: com o público, com ele mesmo, com o objeto do seu amor? Israel, aqui uma nação em forma de ficção, toma um rosto humano, como alguém com quem é preciso viver. A peça, apresentada em Lisboa, Paris e Telavive, recebeu da Sociedade Portuguesa de Autores em 2011 o prémio de melhor texto representado.

 

 

Um espetáculo Teatro Praga

Texto | Pedro Zegre Penim
Criação e interpretação | Pedro Zegre Penim e Catarina Campino
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Tradução | Kennistranslation
Produção | Cristina Correia, Elisabete Fragoso
Coprodução | Teatro Praga, Teatro Maria Matos

2010 | OIL AIN’T ALL, JR

“O filme de guerra é o filme paradigmático dos dias de hoje. O Soldado Ryan do Spielberg, por exemplo, onde se representa o horror infinito, a carnificina e violência absurdas. A perspectiva de Spielberg é de que a guerra é um pesadelo incompreensível, um desperdício patético de vidas humanas. Mas o que me parece que não devemos perder de vista é que por detrás da Segunda Guerra Mundial, e da invasão do Dia D, estava o heroísmo de um objectivo e uma luta ética, e que há causas e ideais pelos quais vale a pena morrer. Isto reflecte, aliás, uma tendência bastante forte no discurso ideológico contemporâneo, a de considerar aqueles que estão dispostos a arriscar as suas vidas em nome de uma causa ou objectivo como fanáticos irracionais.

Pelo que estarias disposto a arriscar tudo?

É esta preocupação central dos westerns em geral – até que ponto é que terias coragem de arriscar a própria vida?

Por isso julgo que não devíamos de modo algum tratar o western como uma espécie de fundamentalismo ideológico americano. Pelo contrário, parece-me que precisamos hoje em dia cada vez mais de uma atitude heróica. Neste contexto, aquilo que deverá seguir-se à desconstrução e à aceitação da contingência radical não deve ser um cepticismo irónico universal, em que quando te empenhas em alguma coisa deves ter consciência de que nunca te estás a empenhar totalmente – não. Devemos sim reabilitar o sentido do empenho absoluto e da coragem de arriscar”

 

 

Um espetáculo Teatro Praga

Texto | José Maria Vieira Mendes
Com | Cláudia Jardim, José Maria Vieira Mendes, Patrícia da Silva, Pedro Penim e Rodolfo Teixeira
Colaboração | Gabriel Abrantes
Assistência | Bárbara Falcão Fernandes e Joana Barrios
Iluminação | Daniel Worm d’Assumpção
Produção | Cristina Correia e Pedro Pires
Co-produção | Centro Cultural de Belém, Teatro Praga
Fotografia | Pedro Celestino

2010 | O SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

Para quê fazer teatro quando só se pensa no Verão e no Amor?

Para quê a chatice do teatro quando só se pensa no Verão e no Amor?

Para quê chatearmo-nos com as questões mais quentes quando só se pensa no Verão e no Amor?

Para quê desinquietar as mentes? Para quê pretender a inscrição? Para quê dominar o léxico contemporâneo? Para quê tanta ironia e multi-referência? Para quê tantas horas passadas na internet com esperança de não largar o zeitgeist? Para quê tanto download? Para quê fazer inimigos ideológicos e estéticos? Para quê queimar pestanas a ler os benjamins do Badiou? Para quê ganhar rugas e cabelos brancos? Quando o que queremos é: Verão e Amor?

Sonho de uma noite de verão é para relaxar e “enjoyar”.

É estar sempre on, sem pensar nos que estão off.

É ser tratado como um príncipe e adorar cada momento.

É sentir a corrente passar e esqueceeeeeeeer-me de miiiiiiiim…

É como dar um jantar em casa e evitar “certos temas” para que ninguém se aborreça e a conversa possa fluir imaculada.

É como ir na auto-estrada para o Algarve, ar condicionado no máximo, musiquinha barroca no rádio, namorad@ ao lado a dar beijos no pescoço… e aí vão eles, a duzentos à hora rumo ao futuro onde lhes espera uma festa temática, um cocktail da moda e uma conta astronómica para pagar no Inverno.

Com a restauração da monarquia em 1660, Carlos II autorizou a formação de duas companhias de teatro para servi-lo a si próprio e ao seu irmão, o Duque de York. Foi a partir daqui, e influenciado pela corte de Luís XIV, que nasceu o teatro das máquinas, espectacular e exuberante, excessivo e megalómano. Uma história que tem em THE FAIRY QUEEN, de Henry Purcell, um magnífico epílogo. Partindo do SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO, de Shakespeare, Purcell compõe música para um espectáculo cuja segunda versão, a de 1691-92, se encheu de efeitos especiais tão caros e extravagantes que apesar do seu sucesso terminou em fiasco financeiro. Fala-se de uma fonte de água gigantesca e de seis macacos a dançar.

Em SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO, o Teatro Praga revive esses tempos. Uma comemoração festiva em busca da felicidade, uma homenagem ao poder ao som de Purcell e ao gosto da época, da nossa.

 

Com | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Joana Barrios, Joana Manuel, Patrícia da Silva e Rodolfo Teixeira
Solistas | Ana Quintans (Soprano), Rossano Ghira (Contra-Tenor), João Sebastião (Tenor) e Nuno Dias (Baixo)
Coro Olisipo | Elsa Cortês  (Soprano), Luísa Tavares (Contralto – dia 3 de Julho), Lucinda Gerhard (Contralto – dia 4 de Julho), Diogo Cerdeira (Tenor), Armando Possante (Baixo)
Três fadas | Leonor Robert, Rafaela Albuquerque e Rita Fonseca
Equipa de filmagem | Carlos Eduardo, Cláudia Morais, Francisco Moreira, João Martins, Leonor Noivo, Nuno Morão e Tiago Oliveira
Artistas convidados | Ana Pérez-Quiroga, Catarina Campino, Javier Núñez Gasco, João Pedro Vale, Leo Ramos, Miguel Viegas, Rogério Nuno Costa, The End of Irony (Diogo Lopes, Ivo Silva, Miguel Cunha, Rita Morais e Ricardo Teixeira), Vasco Araújo e Vicente Trindade
Direcção musical | Marcos Magalhães
Realização vídeo | André Godinho
Design de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Som | Ricardo Guerreiro
Cenários | Bárbara Falcão Fernandes
Casa | Filipe Carneiro (Triplinfinito)
Equipa de montagem | PréForma
Figurinos | Carla Cardoso
Produção | Bruno Coelho, Cristina Correia, Sara Maurício
Assistência | José Nunes
Músicos do Tejo | Álvaro Pinto (Violino-concertino), Xu Na (Violino I), Raquel Cravino (Violino I), Denys Stetsenko (Violino II), Zófia Pajak (Violino II), Raquel Massadas (Viola), Lúcio Studer (Viola), Paulo Gaio Lima (Violoncelo), Xurxo Varela (Viola da Gamba), Filipa Meneses (Viola da Gamba), Duncan Fox (Violone), Carolino Carreira (Fagote), Luís Marques (Oboé I), Andreia Carvalho (Oboé II), António Quítalo (Trompete I), Bruno Fernandes (Trompete II), Hugo Sanches (Teorba), Ricardo Leitão Pedro (Teorba), Joaquim Lopes (Percussão), Marta Araújo (Cravo I), Marcos Magalhães (Cravo II)
Fotografia | Alípio Padilha

2009 | DEMO

:: Uma encomenda do São Luiz Teatro Municipal ::

Este espectáculo apareceu por convite do São Luiz Teatro Municipal. Falou  o Teatro da Índia, falou a Praga de um musical. E acertaram-se os interesses. É um musical “de inspiração indiana”, mas onde a Índia ficou já não sabemos. Talvez na mitologia genesíaca que nos foi confundindo (sogra de um e mulher de outro, casada com tios e filha de sobrinhos), na multiplicação de braços de uma deusa, na diferenciação de classes, na dimensão da democracia (parece que a maior patenteada), no excesso e na suposta loucura da sobrepovoação. A Índia acha-se na forma do espectáculo e não registada, como num retrato ou documentário. Não estivemos “lá”. Não. Não falámos com “eles”. Não.

Este espectáculo apareceu por convite do São Luiz Teatro Municipal. Falou o Teatro da Índia, falou a Praga de um musical. E acertaram-se os interesses. É um musical “de inspiração indiana”, mas onde a Índia ficou já não sabemos. Talvez na mitologia genesíaca que nos foi confundindo (sogra de um e mulher de outro, casada com tios e filha de sobrinhos), na multiplicação de braços de uma deusa, na diferenciação de classes, na dimensão da democracia (parece que a maior patenteada), no excesso e na suposta loucura da sobrepovoação. A Índia acha-se na forma do espectáculo e não registada, como num retrato ou documentário. Não estivemos lá. Não. Não falámos com “eles”. Não.

A Índia serviu para ler a Europa. O “outro” para nos vermos a nós próprios, método antigo, lugar comum que empurrou muita viagem. Lemos Moravia e Pasolini e não Tagore, vimos Fritz Lang e não Ray. Treslemos a Índia, ouvimos com interferência, muito parcialmente, sem antropologias nem história, fomos à procura do que queríamos para fazer um musical.

Chamamos-lhe “de inspiração indiana”, mas onde a Índia ficou já não sabemos.

Demo tem uma narrativa. É uma história de amor. Não a contamos muito bem, porque já lá vai o tempo em que isso se fazia. E depois porque também não é possível contar bem quando não se sabe muito bem o que se está a contar. Conseguimos, felizmente, confundir. Misturamos a Estónia com a Islândia, a Bulgária com Espanha, o inglês com o alemão e achamo-nos a ler ciclos, aqueles eternos que se repetem: solução, falhanço, solução, falhanço.

Mas há uma protagonista. Baptizámo-la de Savitri. Vem das águas onde moram os crocodilos. E propõe, desculpem, impõe uma ordem. Talvez tudo não passe de uma vontade política, de um sonho megalómano e demoníaco. Ou de uma viagem: “No Céu temos as nossas Índias, chegar ali é salvar-se, que naveguemos todos é preciso.” (Padre Manuel Bernardes, Os últimos dias do homem.)

Construímos o espectáculo a partir de fragmentos e completamo-lo com a música dos americanos Kevin Blechdom e Christopher Fleeger, e do estónio Andres Lõo. Embrulhámos questões filosóficas, éticas, sociais e culturais em chansons-papel-de-rebuçado. O rebuçado é para todos: colorido e agradável ao paladar, mas duro de trincar e letal para a dentição. É democrático, demente e demolidor.

 

 

Um espectáculo Teatro Praga com música original de Kevin Blechdom, Christopher Fleeger e Andres Lõo
Com | André e. Teodósio, André Godinho, Andres Lõo, Carlos António, Christopher Fleeger, Cláudia Jardim, Joana Barrios, Joana Manuel, Kevin Blechdom, Luís Madureira, Miguel Bonneville, Patrícia da Silva, Pedro Penim e Rita Só
Participação especial | Rão Kyao
E a colaboração de Vasco Araújo
Crocodilos | André Campino, Diogo Bento e mulher bala
Desenho de luz e Direcção técnica | Daniel Worm d’Assumpção
Vídeo | André Godinho
Apoio vocal | Luís Madureira
Apoio coreográfico | João Galante
Figurino Nora Nova | Fernanda Pereira
Figurino Ilse Koch | João Figueira Nogueira
Execução de figurinos | Mestra costureira Teresa Louro e Rosário Balbi
Execução da cabeça de Tim O’ Leary | Jorge Bragada
Fotografia | Susana Pomba
Produção | Cristina Correia, Joana Gusmão e Pedro Pires
Co-produção | São Luiz Teatro Municipal, Teatro Praga
Apoio | O Espaço do Tempo, DEVIR, O Rumo do Fumo, Goethe-Institut Portugal
Duração | 2h30m (c/ intervalo)

2009 | PADAM PADAM

Padam Padam é um espectáculo provavelmente inspirado no cinema catástrofe e interessou-se por recordar o ano zero. É também um espectáculo dedicado aos animais. E às tempestades. Um espectáculo que está a pensar como é que vai ser. Como é que pode ser. Procurar novas doenças porque afinal de contas, se a pessoa onde se multiplicam as diferentes bactérias e vírus se sente mal, por outro lado as ditas bactérias e vírus sentem-se admiravelmente bem.

Comecemos então pelo meio: Padam Padam é um espectáculo catástrofe. Roubámos o nome aos filmes que ficcionam o fim do mundo ou a visita do monstro ou a invasão do extraterrestre. Apoiámo-nos numa hipotética estrutura, fantasmas de argumentos cinematográficos, mas não vamos além de cinco pessoas encaixadas num espaço exíguo onde se expõem às intempéries e experimentam ideias como a família ou a comunidade, as palavras e os nomes, mas também certos amores, utopias e viagens.

Para ajudar a “imprensa escrita”, podíamos dizer que contamos de um dia de sol em que uma família resolve partir de fim-de-semana. Uma família irrequieta e inconsistente. E à medida que o dia avança, as nuvens negras aproximam-se, os temporais soltam-se e há meteoritos a abalroar as estruturas do planeta. Os sobreviventes, a família que partiu de manhã, ficam a vaguear no deserto de ruínas e cadáveres. Uns procurando as velhas rotinas, outros apostando em novas ideias.

Padam Padam é um espectáculo dedicado aos animais. Um espectáculo que está a pensar como é que vai ser. Como é que pode ser. Procurar novas doenças porque afinal de contas, se a pessoa onde se multiplicam as diferentes bactérias e vírus se sente mal, por outro lado as ditas bactérias e vírus sentem-se admiravelmente bem.

 

 

Um espectáculo Teatro Praga

Texto | José Maria Vieira Mendes
Com | Cláudia Jardim, Diogo Bento, Marcello Urgeghe, Patrícia da Silva e Pedro Penim
Narrador | Luís Miguel Cintra
Colaboração | Vasco Araújo
Desenho de luz e direcção técnica | Daniel Worm d’Assumpção
Vídeo | André Godinho
Imagem gráfica (Cartaz) | mulher bala
Professora de valsa | Paula Fonseca
Produção | Cristina Correia, Joana Gusmão e Pedro Pires
Apoio à cenografia | João Gonçalves
Equipa de montagem | PréForma
Co-produção | Centro Cultural de Belém, Próspero, Teatro Praga
Estruturas associadas | Théâtre National de Bretagne (Rennes, França), Théâtre De La Place (Liège, Bélgica), Emilia Romagna Teatro Fondazione (Modena, Itália); Schaubühne am Lehniner Platz (Berlim, Alemanha), Universidade de Tampere (Tampere, Finlândia)
Apoio | Teatro Viriato, O Espaço do Tempo
Duração | 1h30m (s/ intervalo)

2008 | TURBO-FOLK

Servindo o ciclo “Outras Lisboas” do Teatro São Luiz para uma reflexão sobre a imigração em Lisboa, e tendo sido atribuído ao Teatro Praga a especificidade dos imigrantes do Leste, Turbo-Folk (título derivado do conceito musical sérvio inventado por Rambo Amadeus que denomina um estilo de música tradicional com um “up-rooting pop”) surge como espectáculo comunitário inevitável que, na senda dos Persas de Ésquilo, (des)congela as relações Leste e Far Oeste i.e. aquelas velhas questões, outrora conscientemente desvalorizadas, regressam com toda a força do Zeitgeist. Com os dados do “outro lado”.

CRIMEA RIVER

“(…) que disse querer simplesmente elogiar Carlos Fino pelo facto de, nas suas reportagens de Guerra, transparecer sempre um extraordinário respeito e compreensão pela cultura que está do “outro lado”. Lembrei-me logo que talvez a tragédia “Persas” de Ésquilo fosse do agrado de Carlos Fino (arrisco esta opinião sem o conhecer).”

Frederico Lourenço

O espectáculo Turbo-Folk é a terceira parte de uma trilogia épica sobre o “Poder Estético”*, iniciada com o espectáculo Discotheater* [Festival Alkantara] a que se seguiu O Avarento ou A última festa [T.N.S.J.]. **

Turbo-Folk comete um atentado: uma redefinição política através da estética. Tal como a imigração é um problema sério a resolver a nível político, ela é também uma boa metáfora para muitas outras questões inerentes ao acto de comunicação e de partilha em comunidade, os desejos e problemas no relacionamento dos seres humanos uns com os outros. O governarmo-nos.

Não basta apontar o dedo a políticas, não basta embelezar a condição de imigração atribuindo-a como categoria comum a todos os indivíduos, não basta sair à rua imolado, não basta dizer que o problema habita “o outro”, pois o ser humano está sempre a um passo de cair no abismo, no tal tapete persa esquiliano.

Assim sendo, Turbo-Folk é uma revolução dos sem parte, entre um percussionista estónio semi-perdido e um show a solo de uma cantora lírica ucraniana.

Turbo-Folk é uma festa de imigrantes.

Em Turbo-Folk é a performatividade que conta, não o objecto (já agora, a troika performativa é: Jean-Luc Godard, Rambo Amadeus e Slavoj Žižek).

Em Turbo-Folk um “homo faber aestheticus” anda contente à deriva num qualquer rio sangrento.

 

 

Um espectáculo Teatro Praga
Com | Ana Só, André e. Teodósio, Andres Lõo, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Inês Vaz, Patrícia da Silva e Pedro Penim
Cantoras | Larissa Savchenko e Luiza Dedicin
Colaboração | André Godinho, Catarina Campino, Javier Núñez Gasco, José Maria Vieira Mendes, Rogério Nuno Costa e Vasco Araújo
3 dentes de ouro vestidos por | Mariana Sá Nogueira
Design de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Apoio à cenografia | João Gonçalves
Produção | Joana Gusmão e Pedro Pires
Co-Produção | São Luiz Teatro Municipal, Teatro Praga
Fotografias promocionais | Steve Stoer
Grafitter | Rodrigo Craveiro
Duração | 2h (s/intervalo)

2008 | PÚBLICO-ALVO

Se o “retorno à Natureza” nunca foi possível, não vale a pena fingir que umas vezes estamos ao ar livre e outras não. Celebremos então, uma vez mais, o terreno que os homens pisam, na senda dos madeireiros pouco amáveis da Amazónia, dos implacáveis arpoeiros islandeses ou dos resistentes habitantes dos Países Baixos, e façamos mais uma missa em honra do Dr. Frankenstein (o novo Dionísio) porque “Deus dá nozes, mas não as parte”.

Simulemos, num espaço a meio caminho entre o aeroporto, a estação e o estádio, a mítica (porque extinta) luta entre Physis e Anthropos, entre a Natureza e o Homem.

Os actores estão escolhidos. O desastre é inevitável. O público-alvo que se atreva a aparecer.

 

 

Co-criação | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, José Maria Vieira Mendes, Patrícia da Silva e Pedro Penim
Produção e promoção | FIMP, Pedro Pires e Joana Gusmão (Teatro Praga)
Luz e música | Teatro Praga
Fotografia | Susana Neves

2008 | CONSERVATÓRIO

Fazer um espectáculo conservador, fazer-nos clássicos, dar à luz um monstro, impor uma identidade, construir uma estufa onde isto se guarda e se mostra, paredes fechadas, sala climatizada sem perigo de contágio, coisa só nossa, plantas para os outros verem. Um interior absoluto, confortável, conservador e devidamente decorado, suficientemente grande para cabermos todos. Ou quase. Mas e depois? O que acontece quando transborda? Ficas ou vais? Pertences ou não pertences? O teu palácio é igual ao meu?

O ponto de partida para este espectáculo surge de um texto de Peter Sloterdijk que aborda a alegoria “cavernosa” da estufa: “conservatory”, em inglês, é também sinónimo de estufa, um lugar onde conservamos qualquer coisa que desejamos preservar.

Se o “conservatório” é um lugar onde objectos e seres vivos se podem conservar e sobreviver, distantes de todas as alterações e mudanças (excepto da velhice e dos seus resultados naturais), o nosso Conservatório é um lugar onde textos e actores se podem conservar e sobreviver, distantes de todas as alterações e mudanças (excepto da velhice e dos seus resultados naturais).

Se um “conservatório” pode tornar-se uma organização evoluída, sob a forma de um estabelecimento público ou privado, destinado a salvaguardar e a promover o ensinamento de valores culturais como a música, a dança, o teatro, ou de outros saberes como as técnicas de certos métiers, o nosso Conservatório tenta ser uma organização que se deixa evoluir, sob a forma de um espaço semi-público/semi-privado, destinado a salvaguardar e a promover os ensinamentos do Teatro.

O termo conservatório é maioritariamente usado para designar um fenómeno artificial de protecção, mas é igualmente aplicado para designar um contexto natural, espontâneo, que consegue preencher sem intervenção antrópica, uma função de preservação – tome-se em consideração este exemplo: o isolamento de uma ilha durante a deriva dos continentes pode criar um “conservatório” natural de espécies vivas. Assim sendo, Conservatório é um espectáculo, resultado natural da deriva do teatro, que tenta criar um conservatório natural de espécies.

 

 

Um espectáculo Teatro Praga
Com | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Joana Barrios, Patrícia da Silva, Pedro Penim e Simão Cayatte
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Produção | Joana Gusmão e Pedro Pires
Co-produção | Festival Alkantara
Apoio | Espaço do Tempo, DEVIR
Duração | 1h30m (s/ intervalo)

2007 | O AVARENTO OU A ÚLTIMA FESTA

Um novo Avarento de José Maria Vieira Mendes: revisitação de um texto de 1668, na perspectiva do conflito entre duas gerações, no qual Molière serve apenas para o esqueleto: o autor parte a estrutura original e deixa buracos, fracturas, peças soltas, mistura linguagens e estilos, para realizar uma reflexão sobre o conflito entre a geração pós-25 de Abril e a geração dos pais dela. Uma nova versão da peça, livre e esquiva, ou a escrita daquilo que se gostaria de ler já na obra original.

Neste Avarento – possível palco para infinitas e histéricas afirmações políticas e estéticas como a distribuição do poder dentro de uma mesma geração (a do “Jonas” que fez 25 anos no ano 2000), a vigilância panóptica das cidades contemporâneas (disciplina e mutilação), velhos vs. novos, a ausência de mãe, os perigos de um mundo calculista, o poder transcendental vs. normas cartesianas sociais, a redução do humano a um valor monetário + quantificação como conhecimento, a casa como representação da economia moderna e blá blá blá – renegámos qualquer possível leitura linear, e tentámos desconstruir e “meter-a-pata” no texto o menos possível. Isto pode ser visto (pelos que nos conhecem ou pelos que têm algumas expectativas) como uma espertalhona/pouco inovadora manoeuvre classicista representação vs. apresentação). Neste caso diremos, na senda viriliana, que é uma questão de perspectiva.

 

 

Texto | José Maria Vieira Mendes, a partir de O Avarento (L’Avare, 1668), de Molière
Co-criação de | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, José Maria Vieira Mendes, Marcello Urgeghe, Martim Pedroso, Patrícia da Silva, Paula Diogo, Pedro Penim, Rogério Nuno Costa, Romeu Runa e Sofia Ferrão
Com | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Marcello Urgeghe, Patrícia da Silva, Paula Diogo, Pedro Penim, Rogério Nuno Costa e Romeu Runa
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Produção | Joana Gusmão e Pedro Pires
Co-produção | Teatro Nacional São João
Fotografia | João Tuna
Registo videográfico | André Godinho

2006 | O QUARTETO

Um homem e uma mulher em jogos de sexudução. Um novo terrorismo – o das emoções – sem espaço mediático ou reuniões de concelhos de segurança mas onde também há atentados, reféns e usurpações. Aqui não há bons nem maus, há ligações que são perigosas.

Este espectáculo nasce daí, do construir a partir dos escombros de um terrorismo emocional.

O que fica quando as ideologias morrem? Quem manda? Quem quer mandar? A melhor maneira de encontrar a vítima é procurar alguém com sangue nas mãos. O sangue já não é a prova do crime, o assassino ataca de longe, friamente, enquanto as vítimas sujam as mãos para estancar a hemorragia.

 

 

Co-criação | Cláudia Jardim e José Gonçalo Pais
Com | Cláudia Jardim e José Gonçalo Pais
Desenho de luz | Teatro Praga com a colaboração de Daniel Worm d’Assumpção
Design gráfico | Triplinfinito
Registo videográfico | André Godinho
Produção | Pedro Pires
Co-produção | CENTA, Teatro Praga

2006 | DISCOTHEATER

DISCOTHEATER é um espectáculo que começa quando os outros acabam.

DISCOTHEATER é um espectáculo entre a História e o Zeitgeist. Entre teorias e factos. Entre arte, tradição e autoridade. Entre arte correcta e incorrecta. Entre improvisação e perícia. Entre o sacrifício romântico e o triunfo doloroso. Entre “Wahn und Witz” (ilusão e presença de espírito). Entre o dionisíaco e o apolíneo.

Uma “discoteatralização” contínua. Uma linha de montagem de imagens e de rasgos explosivos de mestria. Uma “phantasmagoria”. Um não-lugar “discoteatral” povoado de mestres que se autoproclamam como tal. Tudo e todos à espera da luz. Da ‘’Aufklärung‘’(iluminação).

Nos tempos que correm, a procura do novo deriva de uma consciência que perdeu o pé perante o real, uma deriva quixotesca. Uma mestria impraticável. Um desejo do que não existe. Uma coisa que não há. Por isso, um gatilho para ensaiar uma continuação. E se nos lembrarmos que já caíram folhas secas de uma teia, que já houve uma tempestade de produtos alimentares no palco, que já houve três mil convidados para ver uma galeria vazia, que já irromperam cavalos pela cena, que já foram confeccionadas refeições quentes servidas por actores-músicos, que já se construiu um cenário labiríntico onde os espectadores tinham de encontrar o seu caminho, que já se fez um chão-canteiro repleto de cravos vermelhos, o que nos restará? Só mesmo continuar.

No DISCOTHEATER sentimo-nos “como se estivéssemos dentro de um sonho. Tivemos um sonho maravilhoso, que mal nos atrevemos a pensar, pois temos medo de o ver desaparecer. É essa precisamente a nossa missão: interpretar e fixar sonhos. Não haverá nada mais do que isso. Vamos contar-vos o nosso sonho matinal. E esperamos acordar ao mesmo tempo.” Era assim que gostávamos que fosse.

 

 

Co-produção | Festival Alkantara
Co-criação e interpretação | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Maria João Machado, Nelson Guerreiro, Patrícia da Silva, Pedro Penim e Vasco Araújo
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Produção | Pedro Pires
Fotografia | Ângelo Fernandes e José Luís Neves
Registo videográfico | André Godinho
Colaboração | Isabelle Schad
Apoio | O Espaço do Tempo
Duração | 6h (entre a meia-noite e as seis da manhã)

2005 | EUROVISION

Existe realmente uma Identidade Europeia? Será que o velho continente possui um passado para além da sua idade? E este passado liga-nos ou separa-nos? Como nos compreendemos se falamos trinta e cinco línguas diferentes? Este ‘Two-Man’ show do Teatro Praga olha para estas questões e, em vez de lhes responder, confronta o público com mais questões. De forma a determinar o Europeísmo, escolhe-se a maior parada kitsch da causa comum: o Festival Europeu da Canção, a Eurovisão, onde, os representantes de povos de diferentes culturas, línguas, modos e normas de vida, se reúnem numa parada de falta de gosto uniforme. O Teatro Praga criou uma performance irónica e espectacular que é multilingue e usa muitos elementos de outros ramos das artes.

Com Eurovision, é proposto um espectáculo de visão particular, um objecto tremendo como a Europa e ao mesmo tempo pequeno como um guilty pleasureAs fronteiras estão finalmente abertas, a partir do velho continente tenta-se a construção de uma narrativa, um concurso longo e viciado em que só o melhor (dos melhores) ganha.

 

Co-criação e texto | Pedro Penim, André e. Teodósio e Martim Pedroso
Interpretação | Pedro Penim e  André e. Teodósio
Produção | Cristina Correia, Elizabete Fragoso, Pedro Pires
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Colaboração | Rogério Nuno Costa
Co-produção | ZDB, Transforma AC
Apoio | Instituto Camões
Fotografia | Ângelo Fernandes, Lab8
Duração | 60 min

2005 | SHALL WE DANCE

Ciclos de duetos (2003-2008)

 

Shall We Dance é um ciclo feito em pequenas doses que em 2008 completa a sua quinta edição. Um elemento do Teatro Praga convida um “estrangeiro” para colaborar consigo na criação de um objecto teatral. Shall We Dance é um motor para a exploração de cumplicidades. Uma operação a duas mãos para descobrir outras leituras e aceitar novos compromissos. Até ao momento os espectáculos foram feitos em colaboração com os artistas: Alexander Kelly, Daniel Worm d’Assumpção, Joaquim Horta, José Gonçalo Pais, José Maria Vieira Mendes, Maria João Machado, Marta Furtado, Nelson Guerreiro e Nuno Carinhas.

 

SHALL WE DANCE 2
2005

Co-criação | Patrícia da Silva e Nelson Guerreiro
Apoio | O Espaço do Tempo

 

  • Super-Gorila

Co-criação | André e. Teodósio e José Maria Vieira Mendes
Com | André e. Teodósio
Colaboração especial | Pedro Olivença
Desenho de Luz | André e. Teodósio e José Maria Vieira Mendes
Montagem | Luís Bombico e João Leonardo

 

  • Hidden Track

Co-criação | Carlos Alves

 

 

SHALL WE DANCE 3
2006

Co-produção | CENTA

 

  • Quarteto

Co-criação | Cláudia Jardim e José Gonçalo Pais

 

  • Our Party People

Co-criação | Sofia Ferrão e Maria João Machado
Desenho de luz | Teatro Praga com a colaboração de Daniel Worm d’Assumpção
Design gráfico | Triplinfinito
Registo videográfico | André Godinho
Produção e promoção | Pedro Pires

 

SHALL WE DANCE 4
2007

Co-produção| Culturgest

 

  • Off The White

Co-criação | Paula Diogo e Alexander Kelly

 

  • Geografias e Tratados

Co-criação | Sofia Ferrão e Nuno Carinhas

 

  • Hunting Scene

Co-criação | Cláudia Gaiolas e Daniel Worm d’Assumpção
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Registo videográfico | André Godinho
Produção e promoção | Pedro Pires
Colaboração em Off The White | Christopher Hall, Tracey Doxey e Mário Costa
Concepção de Figurino em Hunting Scene | Miss Suzie
Colaboração em Hunting Scene | Pedro Carmo e DJ Alx
Interpretação em Geografias e Tratados | Carlos Alves

2005 | SUPER-GORILA

“Estamos tristes, é normal. Isso estamos sempre.” Há histórias que já não se contam. Há coisas que estão mal. Há palavras que não se dizem. Não existem razões, nem se encontra uma direcção, um inimigo ou um culpado. Acontece muito e tudo em simultâneo. E é difícil estar quieto e também falar e ficar calado. Raras vezes se percebe quando começou como também quando acaba ou quando se juntam e separam.

Procura-se no tempo, vai-se atrás para achar o fio que se perdeu. Mas a memória é fraca. E a vontade pouca.

Este espectáculo começou num adolescente.

 

 

Um espectáculo de André e. Teodósio e José Maria Vieira Mendes
Co-produção | O Espaço do Tempo
Co-criação | André e. Teodósio e José Maria Vieira Mendes
Operação de luz e som | Pedro Pires
Imagens de promoção e design gráfico | Javier Nuñez Gasco e Catarina Campino
Registo videográfico | Triplinfinito
Produção e promoção | Cristina Correia
Duração | 40m (s/ intervalo)
Língua | português (com legendagem, se necessário)

2004 | CINCO ESTRELAS

5***** é um espectáculo que passa pela história do teatro português e do Teatro Praga (que comemora, no ano 2005, 10 anos de actividade), que confere, que nomeia, que dá conselhos em forma de receituário em como construir um espectáculo 5*****, que prolonga a sua obsessão pelo niilismo Nietzschiano (e de Artaud, porque não), pelo pós-modernismo de Derrida, e pela busca de linguagem e sentido de Steiner, mais o Montaigne, Benjamin e o Castoriadis, que troca o dito pelo não-dito, o rir pelo chorar, a verdade pelo falso, troca os próprios nomes, que se auto-questiona, que conta coisas sem no fundo saber a história, que estreia todos os dias, a toda a hora, mais canções, figurinos e fumo, muito fumo (o eterno dilema português)…

5***** é uma hora de celebração, de evocação de velhos fantasmas e provocação de novos.

 

 

Co-criação e interpretação | André e. Teodósio, Carlos Alves, Cláudia Gaiolas, Cláudia Jardim, Paula Diogo, Pedro Penim, Pedro Pires, Patrícia da Silva, Sandra Simões e Sofia Ferrão
Desenho de luz | Pedro Domingos

2005 | AGATHA CHRISTIE

Talvez seja difícil falar deste espectáculo, ou pelo menos tanto como dos últimos, porque há mais uma vez a tentativa de fazer um trabalho que não tenha uma narrativa bem sucedida e que ainda assim seja eficiente a todos os níveis e que ao mesmo tempo propõe voltar à narrativa a partir de uma narração, mas sem passar pela psicologia narrativa. Tudo em bomba-relógio.

Agatha Christie pressupõe dois tempos distintos: o tempo do “Whodunnit?”, onde a narrativa impera; e a vitória do delírio (onde paradoxalmente a ordem se estabelece), onde há personagens, e sequências de acções, canções pop e (malgré tout) sequências narrativas. Cada item com a sua integridade, os seus limites e o seu próprio desenvolvimento. Cada coisa toma o seu lugar no todo. Cada parte utiliza o seu conteúdo, o seu tom, o seu ritmo e as suas qualidades formais, criando um meta-ritmo, um supra-objecto.

O tema da culpabilidade generalizada é tratado por Agatha Christie em ‘’Ten Little Niggers’’, destruindo uma convenção básica do policial (que é também uma das ficções da sociedade moderna): a determinação do culpado, esse lugar visível do mal que a todos redime. O policial clássico glosou até à exaustão este tema: os suspeitos podem ser muitos, todos terão motivos para matar, mas, no final, um só será o criminoso (mesmo quando ao “culpado” correspondem dois ou três sujeitos empíricos). Para lá da confiança epistemológica que a explicação do mistério sempre transmite, esta determinação do culpado nunca deixará de instaurar um sentimento de tranquilidade. Nas palavras de Abel Barros Baptista: “Uma vez decidida a questão de saber ‘quem teve a culpa?’, todos os problemas se dissipam e vai cada um à sua vida.”

 

 

Co-criação e interpretação | André e. Teodósio, Carlos Alves, Cláudia Gaiolas, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Patrícia da Silva, Paula Diogo, Pedro Penim, Sandra Simões e Sofia Ferrão
Design gráfico | Triplinfinito
Fotografia | Ângelo Fernandes e Sofia Ferrão
Desenho de luz e direcção técnica | Daniel Worm d’Assumpção
Direcção de produção e promoção | Pedro Pires
Co-produção | Culturgest

2004 | TÍTULO

Título faculta uma escolha ao público: o de pagar ou não pagar. A escolha é decisiva para a definição do papel de cada um no espectáculo: cada lugar escolhido, cada ângulo de visão, cada movimento accionado e cada palavra proferida estão sujeitas a um carimbo taxativo de verdadeiro ou falso. Ficção e documento situam-se, aqui, na mesma dimensão.

O espectáculo chamado Título é uma sucessão de “peças falsas” que não pretendem “retratar”, e que inevitavelmente se perderão ao tentar procurar significado em objectos que duvidam de si mesmos. Dúvidas que chegam da garantia que substituir velhos deuses por falsos novos deuses como explica Arno Gruen*, significa uma libertação de “submissões antigas” por “autoridades novas”.

Título pretende dar provas inequívocas da verdade num terreno minado de mentiras. Pretende ao mesmo tempo rotular projectos impregnados de veracidade de artigos tão falsos como os jarros Ming das lojas dos 300.

Pisar estas minas anti-pessoais é tão excitante quanto inoportuno ou vão.

É de crer que este espectáculo chamado Título, tal como estas tautologias e contradições, é puramente formal, desprovido de sentido e que nada nos diz sobre o mundo. Mas é também de considerar a sua condição de espectáculo essencial, tal como as tautologias o são no domínio da lógica, enunciando as leis sem as quais o pensamento e o discurso seriam incoerentes.

Se as proposições tautológicas do género: “O meu nome é nome” são necessariamente verdadeiras a priori e se o contrário (uma contradição) é uma preposição lógica necessariamente falsa, quando aplicadas à convenção tridimensional do teatro todas elas se baralham e se confrontam com este espaço da falsidade por excelência que, em regra, se situa nos antípodas da percepção e do entendimento hiper-realista do cinema.

 

*Falsos Deuses, Arno Gruen, Paz Editora de Multimédia Lda., Lisboa 1997, tradução de Lumir Nahodil.

 

 

Co-criação e interpretação | Carlos Alves, Catarina Campino, Cláudia Jardim, Javier Núñez Gasco, Patrícia da Silva e Pedro Penim
Produção e promoção | Pedro Pires
Fotografias | Sofia Ferrão e Hélio Mateus
Apoio | O Espaço do Tempo

2004 | SOBRE A MESA A FACA

:: Sobre a mesa a faca é um espectáculo co-produzido pelas companhias Cão Solteiro e Teatro Praga feito a partir de entrevistas a artistas. ::

 

Sobre a mesa a faca apresenta um esforço de colaboração e um confronto de identidades e, dando seguimento aos últimos trabalhos das duas companhias, é um trabalho que se quer como um ensaio visual/vital, de leitura aberta.

Num ringue, e em tumulto constante, desfilam as mais diversas interrogações: O que é público e o que é privado? O que é meu e o que é teu? Lutaremos? Quem sobreviverá? Quem terá mais poder? Alguém aniquilará alguém? Um universo transparente ou reflector? O que é verdade e o que é mentira? Quem és tu e quem sou eu? Isto é real ou inventado? Estão a olhar para mim ou estão a olhar para ti? Sou eu um micróbio sobre a faca? E a mesa, o mundo? E eu, e eu (entra a música)…

 

Deve:

Não há mesa. Não há faca. Não há tendência para definir o espectáculo segundo uma regra simples ou segundo uma única cena ou actividade. Não é sobre nada. É sobre tudo. Não há só um sítio onde se pode falar. Não se fala só para o público. Não se fala. Fala-se.

 

Haver:

As personagens são finalmente bem-vindas. Há o lixo do mundo. Há mãos que se erguem em prol de atenção. Há segundas peles de protecção. Há uma cidade. Há a cidade e os seus textos. Há os artistas e os seus textos. Há conversas/entrevistas. Há o reconhecimento individual a partir duma estrutura de “refém do outro”. E a cidade ergue-se. E a cidade desmorona-se. Há o hino da América. Há dinheiro, muito dinheiro. Há morte sem sangue. Há feridas com sangue. Há cão com peste, há pragas que ladram. Há vozes do além. Há o aqui e o agora. E nada mais.

 

 

Co-criação e interpretação | André e. Teodósio, Carlos Alves, Marcello Urgeghe, Paula Sá Nogueira, Pedro Penim e Sofia Ferrão
Apoio à dramaturgia | Manuela Correia
Figurinos | Mariana Sá Nogueira
Cenografia | Nuno Carinhas
Execução de figurinos | Teresa Louro, Palmira Abranches e Natália Ferreira
Produção e promoção | Pedro Pires
Co-produção | Cão Solteiro
Design gráfico | Triplinfinito

2003 | PRIVATE LIVES

Um gesto determinante de um lançar de dados decide o preço do bilhete. A distribuição dos 4 papéis pelos 6 actores é uma Roleta-Russa oferecida, de bandeja, ao público. Serão a Serendipidade, o Book-Crossing, o Random Order, o Nietzsche (!) e o Amor (!!?) farinha do mesmo saco? Um saco com uma bola branca e outra preta chamado acaso.

Cabe a este decidir, para cada dia, a hipótese certa das 72 combinações possíveis que sabemos que existem neste espectáculo. Mas avisamos desde já que o exponencial é infinito, e que a mão que embala o copo de dados é a mão que vai determinar o desenrolar dos acontecimentos.

De Noël Coward ainda não sabemos se gostamos. Nunca percebemos em que parte da zona cinzenta e infinita que vai do dandy intelectual ao queer fútil é que ele se situa. É neste território movediço, neste pântano, que se vai operar a construção da peça e do espectáculo. E é aqui que o universo cool e eficaz de Noël Coward sofre um duro golpe do destino: a encenação (público e actores) deste espectáculo nunca será mais do que um produto da casuística e da assunção dos resultados. E que ninguém se desobrigue das consequências.

 

 

Texto | Noël Coward
Tradução | Carlos Falcão
Co-criação e interpretação | André e. Teodósio, Carlos Alves, Cláudia Jardim, Paula Diogo, Patrícia da Silva, Pedro Penim e Sofia Ferrão
Styling | Sofia Aparício
Produção executiva | Pedro Pires
Design gráfico | Paula Veiga

2003 | DE REPENTE EU

Trata-se aqui da reconstituição de um óbito.

Escrita a partir de A Noite e o Riso de Nuno Bragança, esta peça põe em cena o congelamento de um momento e a revisitação de um passado: um vasculhar permanente pela memória visual de alguém.

Esta reconstituição é também sinónima de reconstrução. Reconstrução de uma ruína ou de um espaço vazio. Reconstrução de uma vida ou de um momento decisório e determinante. Uma reconstrução desconstruída e desprovida de continuidades. Uma reconstrução feita de oportunidades e de aproveitamentos vampíricos de locais, histórias, espectadores, escritores e performers.

 

 

Texto | Pedro Penim, a partir de A Noite e o Riso de Nuno Bragança
Encenação | Pedro Penim
Interpretação | André e. Teodósio, Cláudia Gaiolas, Cláudia Jardim e Tiago Matias
Direcção de produção | Maria João Fontaínhas
Produção executiva | Ana Rita Osório e Pedro Pires
Fotografia | Sofia Ferrão
Co-produção | Cª Teatro de Sintra / Transforma AC

2002 | UM MÊS NO CAMPO

Para Turgueniev Um mês no campo refere-se à estadia de Belyaev na propriedade dos Islaev, mas para nós, Teatro Praga, significou também um mês de residência, experimentação e confronto no CENTA em Vila Velha de Ródão.

A proposta era um espectáculo imprevisto, que diferia de dia para dia, sem marcações e que assumia a nossa passagem de um meio natural para um campo de batalha (o teatro).

O trabalho que realizámos a partir deste clássico do teatro russo do século XIX pressupôs uma relação com um meio estranho, o campo, motor de uma vivência casuística em torno de tropeções sucessivos no amor.

Apoiámo-nos no legado do autor e reflectimos sobre a possibilidade do vazio e do nihil, e, esticando mais a corda, pusemos no palco o “valor seguro” da interrupção, a troca entre o objecto e o sujeito artístico, o prazer da contracena e a pulsão de um texto escrito há mais de um século, que trouxemos à realidade e à vida sensível dos actores e co-criadores.

Projecto Vencedor do Prémio ‘’Teatro na Década 2003’’, do Clube Português de Artes e Ideias, na categoria de reposição.

 

 

Texto | Ivan Turgueniev
Tradução e versão | Pedro Penim, a partir da tradução inglesa de Richard Freeborn (A Month in the Country, ed. Oxford University Press, 1991) e da francesa de Denis Roche, revista por Françoise Flamand (Un mois à la campagne, ed. Gallimard, 1995)
Co-criação e interpretação | André e. Teodósio, Carlos Alves, Cláudia Jardim, Patrícia da Silva, Pedro Penim e Sofia Ferrão
Com a colaboração de | Cláudia Gaiolas, David Dias, Hugo Sovelas, Ivo Serra, Pedro Martinez e Sandra Simões
Vídeos e iluminação | Paulo Simões
Design gráfico | Elsa Guimarães
Produção e divulgação | Pedro Pires
Fotografias | Sandra Ramos e Sofia Ferrão

2001 | PROFUNDO DELAY

Em 2001 e a convite de Jorge Silva Melo para o evento Uma Mesa e Duas Cadeiras, escrevi e co-encenei um texto sobre a cidade, ou as cidades. Pensei sempre na Lapónia como ponto de partida e numa canção homónima da finlandesa Mónica Aspelund como meio para pôr a escrita em prática.

O resultado é uma série de quadros mais ou menos “lounge”. Uma “féerie” cosmopolita, que mistura Londres, Paris e Roma, com Invernos prolongados na Crimeia ou em Tirana, noites de Halloween em Virginia Beach e passagens rápidas pela Avenida da República. Tudo acompanhado pelo que considero ser a única manifestação do divino nas cidades: o corte de energia.

Como na altura não tinha nenhum disco do Burt Bacharach, pensei também muito no Tony de Matos e no Vodka Martini e dediquei-lhes um dos quadros. Mais ou menos “lounge”.

Para mim e para a Cláudia era conditio sine qua non que este seria um espectáculo feliz sobre a cidade feliz. E é-o.

 

 

Co-criação e interpretação | Cláudia Jardim e Pedro Penim
Texto | Pedro Penim
Produção executiva | Pedro Pires
Responsabilidade técnica | Paulo Simões
Fotografias | Sandra Ramos

2017 | Publicação DESPERTAR DA PRIMAVERA

PROPS é a nova publicação do Teatro Praga. “Props” de adereço, propaganda ou slang para mostrar respect. PROPS não tem respostas nem géneros, muito menos tema geral que nos conforte. Trata-se de um objecto paralelo, porque são necessárias outras formas de registar e porque a nossa identidade é uma identidade partilhada e colectiva e porque somos hiperbólicos e megalopsíquicos.

 

 

 

Text | Frank Wedekind with translation by José Maria Vieira Mendes
Design | Horário Frutuoso
Printing | Gráfica Maiadouro, S.A.

 

 

5€
Para mais informações sobre a sua compra
contactar producao@teatropraga.com.

2016 | Jornal ZULULUZU

PROPS é a nova publicação do Teatro Praga. “Props” de adereço, propaganda ou slang para mostrar respect. PROPS não tem respostas nem géneros, muito menos tema geral que nos conforte. Trata-se de um objecto paralelo, porque são necessárias outras formas de registar e porque a nossa identidade é uma identidade partilhada e colectiva e porque somos hiperbólicos e megalopsíquicos.

2009 | LP Demo

PROPS é a nova publicação do Teatro Praga. “Props” de adereço, propaganda ou slang para mostrar respect. PROPS não tem respostas nem géneros, muito menos tema geral que nos conforte. Trata-se de um objecto paralelo, porque são necessárias outras formas de registar e porque a nossa identidade é uma identidade partilhada e colectiva e porque somos hiperbólicos e megalopsíquicos.

 

O LP Demo, Um Musical, de Kevin Blechdom, Christopher Fleeger e Andres Lõo, foi lançado em 2010 na sequência do espetáculo homónimo apresentado no Teatro São Luiz Theater entre Julho e Agosto de 2009, ainda está à venda na sede do Teatro Praga, a Rua das Gaivotas6.

 

 

Gravação original de “Demo – A Praga Musical”, apresentado em Julho – Agosto de 2009 no Teatro São Luiz em Lisboa. Um espetáculo do Teatro Praga com a música original de Kevin Blechdom, Christopher Fleeger and Andres Lõo
Colaboração | Vasco Araújo
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Apoio vocal | Luís Madureira
Choreographical Support | João Galante
Convidado especial | Rão Kyao
Produção | Cristina Correia, Joana Gusmão and Pedro Pires (Teatro Praga)
Co-produção | São Luiz Teatro Municipal / Teatro Praga
com o apoio de O Espaço do Tempo / DeVIR / Goethe Institute / O Rumo do Fumo
Gravação | Joaquim Monte at Namouche Studios in Lisbon, Portugal
Edição / pós-produção | Kristin Erickson, Christopher Fleeger, and Andres Lõo
Mixed by Cristian Vogel at Station 55, Barcelona, Spain
Mastered by LUPO at Dubplates & Mastering in Berlin, Germany
Desenhos para a capa | Pedro Lourenço
Coordenação de artwork | Susana Pomba aka Miss Dove
Fotografia | Tatiana Macedo and Susana Pomba
Design Gráfico | Barbara Says…

 

 

15€
Para mais informações sobre a sua compra
contactar producao@teatropraga.com.

2009 | PROPS #4

PROPS é a nova publicação do Teatro Praga. “Props” de adereço, propaganda ou slang para mostrar respect. PROPS não tem respostas nem géneros, muito menos tema geral que nos conforte. Trata-se de um objecto paralelo, porque são necessárias outras formas de registar e porque a nossa identidade é uma identidade partilhada e colectiva e porque somos hiperbólicos e megalopsíquicos.

 

Props é a publicação trimestral editada por Susana Pomba onde publicamos pequenos ensaios, textos ou imagens pelos quais vamos passando nos nossos processos de criação.

 

Design | Barbara Says

 

 

5€
Para mais informações sobre a sua compra
contactar producao@teatropraga.com.

2009 | PROPS #3

PROPS é a nova publicação do Teatro Praga. “Props” de adereço, propaganda ou slang para mostrar respect. PROPS não tem respostas nem géneros, muito menos tema geral que nos conforte. Trata-se de um objecto paralelo, porque são necessárias outras formas de registar e porque a nossa identidade é uma identidade partilhada e colectiva e porque somos hiperbólicos e megalopsíquicos.

 

Props é a publicação trimestral editada por Susana Pomba onde publicamos pequenos ensaios, textos ou imagens pelos quais vamos passando nos nossos processos de criação.

 

Design | Barbara Says

2009 | PROPS #2

PROPS é a nova publicação do Teatro Praga. “Props” de adereço, propaganda ou slang para mostrar respect. PROPS não tem respostas nem géneros, muito menos tema geral que nos conforte. Trata-se de um objecto paralelo, porque são necessárias outras formas de registar e porque a nossa identidade é uma identidade partilhada e colectiva e porque somos hiperbólicos e megalopsíquicos.

 

Props é a publicação trimestral editada por Susana Pomba onde publicamos pequenos ensaios, textos ou imagens pelos quais vamos passando nos nossos processos de criação.

 

Desenhos | Pedro Lourenço, Gabriel Abrantes, Vasco Araújo e Kevin Blechdom
Design | Barbara Says

2009 | PROPS #1

PROPS é a nova publicação do Teatro Praga. “Props” de adereço, propaganda ou slang para mostrar respect. PROPS não tem respostas nem géneros, muito menos tema geral que nos conforte. Trata-se de um objecto paralelo, porque são necessárias outras formas de registar e porque a nossa identidade é uma identidade partilhada e colectiva e porque somos hiperbólicos e megalopsíquicos.

 

Props é a publicação trimestral editada por Susana Pomba onde publicamos pequenos ensaios, textos ou imagens pelos quais vamos passando nos nossos processos de criação.

 

Textos | José Maria Vieira Mendes, Pedro Gomes–Filho Único, Nelson Guerreiro, Andres Lõo, Susana Pomba
Design | Barbara Says

CATEQUESE

Catequese quer ser um momento de reflexão, misto de intimidade dubitativa e pregação intolerante, completada por períodos de acção, em espírito grego, e saltos artísticos. Aqui, as aulas são arte cheia de si, uma gestão de egos incompatíveis que têm a certeza de tudo o que no dia seguinte negam. É um prelúdio de universidade inspirada no mestre ignorante e não no sábio decano amedrontado. Não estaremos juntos, não há cá ilusões de partilha de um sentido e generosa interactividade. Não há sequer esperança de entendimento. Joga-se no campo da comunicação sem garantias. Dos participantes espera-se iniciativa crítica, vontade de ler, ouvir e de adorar. Porque sem fé não se abrem águas nem se conquistam povos. A ambição é gigantesca para que a queda possa ser mais abismal.

2014 | CONFERÊNCIAS MITOLÓGICAS

Conferências Mitológicas é um projeto de José Maria Vieira Mendes, do Teatro Praga. Assente num ciclo de discursos, o autor seguirá parte do trabalho de investigação, a que se tem dedicado nos últimos três anos, sobre a história do teatro e da literatura dramática e a sequência de mitos que foram sendo construídos e cristalizados pela crítica teórica e pelos próprios artistas. Para cada discurso, e dependendo do seu lugar de apresentação, será pensado um texto e um formato, um tema e um conteúdo.

2014 | EURO-NEURO

Todos os dias enfrentamos a nossa memória de Europeus. George Steiner afirma que a Europa tem de aprender a negociar com as heranças de Atenas e Jerusalém e que ser Europeu “é uma tentativa de negociar moralmente, intelectualmente e existencialmente com ideais rivais, com reivindicações, e com a praxis das cidades de Sócrates (Atenas) e de Isaías (Jerusalém)”.

A Europa é uma grande casa, um lugar de memória e conforto. Mas é também detentora de um passado de fome, de limpezas étnicas, genocídios, torturas, guerras e epidemias. Sentimo-nos protegidos e quentes nas nossas casas, debaixo deste tecto comum. Mas existe uma sombra que paira sobre esta zona. Um lado negro nesta soberania das recordações, nesta auto-definição da Europa como lieux de mémoire.

Juntamente com os participantes, iremos explorar estas relações entre Atenas e Jerusalém, passado e presente, numa tentativa de criar textos, cenas, teorias e ideias em torno do nosso próprio trabalho e universo, e possibilitar uma performance em que o nervo da Europa (neuron/ νεῦρον) será combatido, discutido e negociado.

2013-2014 | CICLO DE OFICINAS

O ciclo de oficinas Chroniques du Bord de Scène, promovido pelo MC93, proporciona um espaço de aprendizagem e encontros em que convidados de diversas áreas das artes performativas exploram um tema com os alunos de conservatórios de teatro franceses.

Nesta sexta temporada, o Pedro Penim e o José Maria Vieira Mendes foram desafiados a dirigir uma masterclass com alunos do Conservatório de Bobigny, Pantin e Aubervilliers/La Courneuve.

Depois de uma semana de trabalho em finais de 2013, em que se trabalhou à volta de questões como o que é um ator, uma pessoa, um espetáculo e um texto, com alguns exercício práticos a partir do texto original de José Maria Vieira Mendes, Terceira idade, alunos e membros do Teatro Praga voltaram a encontrar-se por mais duas semanas em abril de 2014 de modo a preparar uma apresentação pública para os dias 18 e 19 de abril de 2014 no teatro MC93.

O espetáculo fruto desse trabalho voltou a ser apresentado, a título excepcional e por vontade dos alunos, no mês de junho de 2014 no Théâtre Fil de L’Eau, em Pantin (Paris).

2013 | ERRA UMA VEZ…

O mundo é uma confusão e nós somos um ótimo exemplo! Se é verdade que nos reconhecemos e nos orgulhamos de nós próprios, também é verdade que volta e meia nos estranhamos: afinal hoje não quero um geladito de chocolate, afinal hoje não enjoei nas cinco horas de viagem enfiado num carro, afinal hoje, apesar de estar morto de sono, não dormi. Somos muita coisa, somos feitos de muitos desejos, somos de muitas cores, numa palavra: somos esquisitos. E o que nos conforta no meio de tanta confusão é saber que não estamos sozinhos. Aliás, estamos muito bem acompanhados.

Porque também os heróis e as heroínas das histórias que nos rodeiam têm as suas dificuldades, as suas esquisitices, aquilo que não se vê à primeira, que nos esqueceram de contar. Porque eles também comem, eles também namoram muito e estudam pouco, eles também têm dificuldades de expressão e articulação, também eles não conseguem chegar ao multibanco, também têm doenças, tomam comprimidos, enjoam nos carros, zangam-se com os irmãos, discutem processos de partilhas, os nossos heróis, as nossas cinderelas e brancas-de-neve e pequenas sereias e polegarzinhos e capuchinhos vermelhos têm tanta coisa por contar, tanta coisa que desconhecemos.

E por isso é preciso um espetáculo sobre isso. Chama-se: ERRA UMA VEZ…

2013 | TERCEIRA IDADE . WORKSHOP

A acompanhar o espetáculo Terceira Idade, José Maria Vieira Mendes propõe-se a discutir a peça que escreveu com o mesmo nome, como pretexto para se falar da relação entre texto e espetáculo ou teatro e literatura, e também de atores e escritores, de preconceitos e hegemonias, de liberdades e garantias, de sentimento com dinheiro, de dicionários e gramática, de nascimentos e mortes, de livros e telediscos, de lápis e canetas, de dicotomias e parataxe e por aí fora.

Este workshop segue o modelo de uma série de oficinas e atividades do Teatro Praga a que se dá o nome de Catequese.

2013 | ISAAC

“God said to Abraham Kill me a son…
Abe said: where you want this killing done?”
Bob Dylan, Highway 61 Revisited

Como é que se pode fazer um espetáculo sobre os direitos dos animais, sem cair na asneira do paternalismo? Como é que se pode contar uma história tão velha como o mundo, tão fundamental como o oxigénio, sem aborrecer? Como é que se pode falar da nossa herança civilizacional, que passa de pais para filhos e que nos obriga a assumir responsabilidades sobre o destino do mundo? A história de Isaac quer responder a tudo isto, conta-se como um dos velhos filmes de Walt Disney, procura o clássico para dar um passo em frente. E conta com três ajudas preciosas: A de cada espectador, no papel de Isaac. A de Pedro Penim no papel de pai. E a da cadela Rita, intérprete inesperada do papel do cordeiro.

 

 

Texto | Pedro Penim, André e.Teodósio
Encenação | Pedro Penim
Interpretação | Pedro Penim e Rita
Voz | Eduardo Gaspar
Cenografia | Bárbara Falcão Fernandes, Joana Mendo
Assistência à Cenografia | Ricardo Santanna
Design de Luz | Daniel Worm d’Assumpção
Apoio à Sonoplastia | Miguel Mendes
Treino | João Vasconcelos (Bocalán)
Fotografia | Alípio Padilha
Produção | Filipa Rolaça, Cristina Correia, Francisca Rodrigues, Elisabete Fragoso
Co-produção | CCB/Fábrica das Artes e Teatro Praga

2012 | CONTOS DE REIS

Inaugura-se um novo canal televisivo: XRZ, Canal Xerazade: Um Canal das Arábias!

Com transmissão em direto, a partir dos Jardins da Gulbenkian, o público terá o privilégio não só de participar na primeira emissão, mas de ser responsável pelos conteúdos do canal. XRZ é verdadeiramente o canal de todos nós, em tom arábico e ao ritmo das excêntricas narrativas contadas por Xerazade ao Rei Xariar em As Mil e uma Noites.

XRZ cobre a atualidade noticiosa, aposta na nova ficção nacional, na internacional e na universal, com as melhores séries de todos os tempos, concursos, cultura, desporto, desenhos animados, documentários, o melhor entretenimento, uma programação para toda a família (e com as mais curtas pausas para publicidade).

Mas XRZ não se faz sem o espectador, porque XRZ é mesmo interativo, interpassivo e interinterno. Trazemos o exterior para o interior e convertemos o interior no exterior. E assim se distrai o mal.

“Distrair para não haver disastre!”, diz XRZ, um canal primaveril, a caminho da emancipação, televisão para se ver de pé, em movimento. XRZ dá ideias e transforma o espaço para que no final todos possam contar o seu conto no seu canal. Porque XRZ “c’est moi”.

XRZ não é um espetáculo, é o espetáculo.

With | André e. Teodósio, André Godinho, Catarina Campino, Diogo Bento, Joana Barrios, J. M. Vieira Mendes
Production | Cristina Correia

2011 | MENINAS ASSASSINAS

“O verdadeiro herói é sempre herói por engano; sonhou ser um cobarde honesto como todos os outros.”
Umberto Eco

Começámos por escolher poderes, os nossos fatos e novos nomes de super-heroínas. Transformámos os nossos maior defeitos em mais-valias: a mulher invisível era aquela adolescente em que ninguém reparava e que nessa altura aprendeu que a invisibilidade podia ser um super-poder. Foi assim que criámos os nossos alter-egos e vingámo-nos de todas as vezes que nos disseram “não podes”, “tu não és capaz”, “isto não é para ti”.

MENINAS ASSASSINAS é um espectáculo Girl Power, uma catsuit partty, uma bomba-relógio, Estamos em contagem decrescente… Assassinamos medos em directo e ao vivo entre lutas e corridas em saltos altos. Não vamos desistir. Desta vez, mesmo que nos digam que isto não é para nós, esticamos o dedo do meio, pomos a língua de fora e vamos até ao fim. Escolhemos ser nós a mandar. Vamos pintar a manta. Vamos fazer trinta por uma linha. Mandar os foguetes e apanhar as canas. MENINAS ASSASSINAS é uma festa e como it’s our party, we cry if we want to!

 

 

Um espetáculo Teatro Praga

Interpretação | Andreia, Catarina, Cristina, Joana, Katie, Lena, Marta, Matilde, Raquel, Sara, Sílvia e Vanessa
Criação | André Godinho, Cláudia Jardim
Vídeo | André Godinho
Cenografia | Filipe Carneiro
Produção | Cristina Correia
Co-Produção | 
Teatro Viriato

2010 | QUERES QUE TE FAÇA UM DESENHO?!

O que é que foi a I República? Quantos eram? Quem era?

Num período de 16 anos houve 7 Parlamentos, 8 Presidentes da República e 45 governos.

E se resumíssemos os 16 anos que parecem 1000000 em 60 minutos? E se ultrapassássemos a velocidade da República, nos detivéssemos no acessório e complicássemos a história?

Vamos recusar a linearidade e fazer desenhos, rascunhos. Não vai ficar nada para contar porque tudo irá sempre ficar por contar e nós não somos contabilistas.

Dois actores, alguns adereços, um quadro onde escrever, umas imagens para ilustrar. Música e movimento. Vamos suar.

 

 

Criação | José Maria Vieira Mendes e Pedro Penim
Com | Joana Barrios e Luís Filipe Silva
Cenografia | Bárbara Falcão Fernandes
Produção | Catarina Mendes, Cristina Correia, Pedro Morgado
Co-Produção | Teatro Praga, Comédias do Minho, Centenário da República Portuguesa

2009 | GRANDA PINTA

Jackson Pollock, da América profunda para o mundo: a derradeira incursão elíptica pelo meteórico processo de ascensão, queda e rebatimento do abstraccionismo ébrio daquele que foi provavelmente o maior pintor americano do Século XX.

Qual a importância do acidente na Arte ocidental?
Qual a importância do Ocidente na Arte acidental?

Em Granda Pinta! [Jackson Pollock, (…) provavelmente o maior pintor americano do Século XX] tu, pequeno detective, vais poder investigar o corpo da obra do pintor serial Jackson Pollock. Seguindo as pistas e formulando hipóteses, descobrirás na autópsia que talvez a abstracção não seja mais do que uma vítima da “materialização estética do acidente”… 

Alista-te nas nossas Forças-de-Elite e vem deslindar esta teoria suspeita.

Vamos apanhar o Action Man em acção!

Quem não está connosco, está contra nós…

 

 

Um espetáculo Teatro Praga

Com | Catarina Campino, Cláudia Jardim, Pedro Penim
Produção |  Joana Gusmão, Pedro Pires (Teatro Praga)
Co-produção | Teatro Praga, Teatro Maria Matos (Projecto Educativo)

2008 | ANITA VAI A NADA

Anita ama a montanha, o mar, a natureza e também gosta de brincar às bonecas. Anita é sociável, fiel companheira, dinâmica, jovial, amorosa. Anita é mesmo perfeita.

Anita nasceu em 1954 mas será sempre jovem e bonita e nunca precisa de botox nem de prozac, nem de apoio moral. Anita tem sempre lingerie de bom gosto comprada na petit bateau. E brinquedos muito caros.

Anita é sempre a melhor em tudo, sabe sempre tudo e tem sempre a atitude certa.

Anita pode tudo e faz tudo, porque Anita tem tudo. E se ela pode tudo, também nós podemos, porque a Anita é o herói escondido dentro de qualquer um de nós.

 

 

Interpretação | Cláudia Jardim, Patrícia Portela
Desenho de Luz | Teatro Praga
Produção | Joana Gusmão, Pedro Pires
Confecção de figurinos | Mestra Teresa Louro
Fotografias | Susana Pomba
Duração do espectáculo | 50 minutos
Faixa etária | Espectáculo para crianças e público em geral
Co-produção | Teatro Viriato, Teatro Praga
Colaboração | Galeria Zé dos Bois, Serviço Educativo

2008 | SUPERNOVA

Habitam o reino da Megalopsychia e têm várias formas e feitios. A sua vida de gladiadores espaciais competitivos tem F (de Futuro) como alvo. Para isso os Supernovas estão sempre a tentar derrubar o monstro/mestre… e a queimar-se. Embora caminhem para a extinção, esperemos que não desistam. Para mais informações introduzam o código V (Vida) = 365 nas vossas consolas e joguem MegalopsychoLandia™.

 

 

Criação | André Teodósio, André Godinho
Interpretação | Patrícia Silva
Desenho de Luz | Teatro Praga
Produção | Joana Gusmão, Pedro Pires
Fotografias | Susana Pomba
Co-produção | Teatro Viriato,  Teatro Praga
Colaboração | Galeria Zé dos Bois, Serviço Educativo

2007 | HAMLET SOU EU

Esta performance do Teatro Praga propõe um desafio de descoberta e representação de possíveis “cenários” teatrais para a história da peça Hamlet.

Dois actores contam a história de Shakespeare a crianças guiando-as (ou distraindo-as) pela narrativa e propondo-lhes uma participação activa.

Tudo acaba com uma viagem dos participantes até ao palco onde estão disponíveis música, luzes e figurinos com a ajuda dos quais, em conjunto, se reconta a história. A cada dia, cada pequeno grupo cria o seu próprio espectáculo a partir da peça de Shakespeare.

 

 

Concepção | Cláudia Jardim, Diogo Bento, Pedro Penim
Interpretação | Cláudia Jardim, Diogo Bento
Apoio dramatúrgico | Maria João da Rocha Afonso
Produção | Cristina Correia, Elisabete Fragoso (Teatro Praga)
Coprodução | Teatro Maria Matos, Teatro Praga
Duração | 1h30