Agenda

2008

6 - 15 de Março

São Luiz Teatro Municipal | Lisboa [Portugal]

2008 | TURBO-FOLK

Servindo o ciclo “Outras Lisboas” do Teatro São Luiz para uma reflexão sobre a imigração em Lisboa, e tendo sido atribuído ao Teatro Praga a especificidade dos imigrantes do Leste, Turbo-Folk (título derivado do conceito musical sérvio inventado por Rambo Amadeus que denomina um estilo de música tradicional com um “up-rooting pop”) surge como espectáculo comunitário inevitável que, na senda dos Persas de Ésquilo, (des)congela as relações Leste e Far Oeste i.e. aquelas velhas questões, outrora conscientemente desvalorizadas, regressam com toda a força do Zeitgeist. Com os dados do “outro lado”.

CRIMEA RIVER

“(…) que disse querer simplesmente elogiar Carlos Fino pelo facto de, nas suas reportagens de Guerra, transparecer sempre um extraordinário respeito e compreensão pela cultura que está do “outro lado”. Lembrei-me logo que talvez a tragédia “Persas” de Ésquilo fosse do agrado de Carlos Fino (arrisco esta opinião sem o conhecer).”

Frederico Lourenço

O espectáculo Turbo-Folk é a terceira parte de uma trilogia épica sobre o “Poder Estético”*, iniciada com o espectáculo Discotheater* [Festival Alkantara] a que se seguiu O Avarento ou A última festa [T.N.S.J.]. **

Turbo-Folk comete um atentado: uma redefinição política através da estética. Tal como a imigração é um problema sério a resolver a nível político, ela é também uma boa metáfora para muitas outras questões inerentes ao acto de comunicação e de partilha em comunidade, os desejos e problemas no relacionamento dos seres humanos uns com os outros. O governarmo-nos.

Não basta apontar o dedo a políticas, não basta embelezar a condição de imigração atribuindo-a como categoria comum a todos os indivíduos, não basta sair à rua imolado, não basta dizer que o problema habita “o outro”, pois o ser humano está sempre a um passo de cair no abismo, no tal tapete persa esquiliano.

Assim sendo, Turbo-Folk é uma revolução dos sem parte, entre um percussionista estónio semi-perdido e um show a solo de uma cantora lírica ucraniana.

Turbo-Folk é uma festa de imigrantes.

Em Turbo-Folk é a performatividade que conta, não o objecto (já agora, a troika performativa é: Jean-Luc Godard, Rambo Amadeus e Slavoj Žižek).

Em Turbo-Folk um “homo faber aestheticus” anda contente à deriva num qualquer rio sangrento.

 

 

Um espectáculo Teatro Praga
Com | Ana Só, André e. Teodósio, Andres Lõo, Cláudia Jardim, Diogo Bento, Inês Vaz, Patrícia da Silva e Pedro Penim
Cantoras | Larissa Savchenko e Luiza Dedicin
Colaboração | André Godinho, Catarina Campino, Javier Núñez Gasco, José Maria Vieira Mendes, Rogério Nuno Costa e Vasco Araújo
3 dentes de ouro vestidos por | Mariana Sá Nogueira
Design de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Apoio à cenografia | João Gonçalves
Produção | Joana Gusmão e Pedro Pires
Co-Produção | São Luiz Teatro Municipal, Teatro Praga
Fotografias promocionais | Steve Stoer
Grafitter | Rodrigo Craveiro
Duração | 2h (s/intervalo)

Video