Agenda

2018

26 de Junho - 1 de Julho

São Luiz - Teatro Municipal | Lisboa [Portugal]

2018 | JÂNGAL

Não sou alto nem baixo, não sou homem nem mulher, não sou novo nem velho, não sou gordo nem magro, não sou esperto nem burro, não sou ser nem sou coisa, não sou branco nem moreno, não sou apto nem inapto, sou uma onda fluida de energia que atropela tanques urbanos turbinados em deflação conceptual, mesmo quando só estou a ir ao pão. 

 

 

O espetáculo do Teatro Praga desmancha distinções genéricas com a pretensão de exigir uma atenção para uma ontologia singular, quotidiana e sempre mutável, susceptível de relações múltiplas e imprevisíveis. Instaura-se assim um para lá do tempo das generalizações e explicações grandes, de uma definição de humano como taxinomia que valida e dá existência. A vida deixa de ser conferida por uma palavra ou norma e passa a sê-lo com recurso a um contexto, um lugar: JÂNGAL.

Já não vivemos no tempo de criação ideológica enquanto grande narrativa global mas num tempo de proliferação tansestética de identidades fluidas em performatividade. Habitamos a possibilidade de criação de novas ficções e ontologias que remodelam uma realidade que é cada vez mais um “espectáculo-ao-vivo” numa ficção com a aparência de realidade.

Na selva, onde ecoa a semântica de refúgio de excluídos (Calais, por exemplo), cria-se o trendsetting do inimaginável, novas ontologias que já não refletem o mundo nem o representam, antes adivinham-no. Os polos da selva urbana são primordiais para a alimentação de uma distanciação destradicionalizada e desnaturalizada. As culturas que antes eram desvios processuais arrastam hoje muitos corpos para zonas precárias. Por isso há que entrar num terreno ainda por cultivar.

JÂNGAL é o desencantamento do mundo para além da selva de betão e da selva biológica, a que sobrevive enquanto parque temático au naturel.  No seu espaço encontramos unicórnios em montanhas de ouro sobrevoadas por pégasos em círculos quadrados, enquanto Ulisses desembarca numa Lisboa de sereias e o Rei de França desfere um ataque sobre o azul. Triângulos, frases, pirâmides de bolo, livros sem páginas e escadas sem degraus habitam JÂNGAL, teatro que desfaz corpos, dilui ontologias e inventa liberdades.

 

 

Um espetáculo de Teatro Praga (André e. Teodósio, Cláudia Jardim, José Maria Vieira Mendes e Pedro Penim)
Interpretação | André e. Teodósio, Cláudia Jardim, Jenny Larue, Joana Barrios, João Abreu e a Participação da cantora | Gisela João
Cenografia | Bruno Bogarim
Figurinos | Joana Barrios
Música | Violet
Desenho de luz | Daniel Worm d’Assumpção
Desenho de som | Miguel Lucas Mendes
Fotografia | Alípio Padilha
Vídeo | André Godinho
Direccção de Produção | Andreia Carneiro
Assistente de Produção | Alexandra Baião

Coprodução | São Luiz Teatro Municipal / Thêatre de la Ville / Teatro Municipal do Porto – Rivoli.Campo Alegre / 23 Milhas – Centro Cultural de Ílhavo

 

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