“O filme de guerra é o filme paradigmático dos dias de hoje. O Soldado Ryan do Spielberg, por exemplo, onde se representa o horror infinito, a carnificina e violência absurdas. A perspectiva de Spielberg é de que a guerra é um pesadelo incompreensível, um desperdício patético de vidas humanas. Mas o que me parece que não devemos perder de vista é que por detrás da Segunda Guerra Mundial, e da invasão do Dia D, estava o heroísmo de um objectivo e uma luta ética, e que há causas e ideais pelos quais vale a pena morrer. Isto reflecte, aliás, uma tendência bastante forte no discurso ideológico contemporâneo, a de considerar aqueles que estão dispostos a arriscar as suas vidas em nome de uma causa ou objectivo como fanáticos irracionais.
Pelo que estarias disposto a arriscar tudo?
É esta preocupação central dos westerns em geral – até que ponto é que terias coragem de arriscar a própria vida?
Por isso julgo que não devíamos de modo algum tratar o western como uma espécie de fundamentalismo ideológico americano. Pelo contrário, parece-me que precisamos hoje em dia cada vez mais de uma atitude heróica. Neste contexto, aquilo que deverá seguir-se à desconstrução e à aceitação da contingência radical não deve ser um cepticismo irónico universal, em que quando te empenhas em alguma coisa deves ter consciência de que nunca te estás a empenhar totalmente – não. Devemos sim reabilitar o sentido do empenho absoluto e da coragem de arriscar”
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Um espetáculo Teatro Praga
Texto | José Maria Vieira Mendes
Com | Cláudia Jardim, José Maria Vieira Mendes, Patrícia da Silva, Pedro Penim e Rodolfo Teixeira
Colaboração | Gabriel Abrantes
Assistência | Bárbara Falcão Fernandes e Joana Barrios
Iluminação | Daniel Worm d’Assumpção
Produção | Cristina Correia e Pedro Pires
Co-produção | Centro Cultural de Belém
Fotografia | Pedro Celestino
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Duração | 60min
M/12
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